TIMOR-LESTE

 

Libertação de Xanana

GUTERRES ENCONTRA-SE COM MANDELA

O primeiro-ministro, António Guterres, considerou que a libertação de Xanana Gusmão também interessa à Indonésia e não apenas ao povo de Timor-Leste e à sua causa.

Nas suas primeiras declarações públicas após o encontro de segunda-feira com o Presidente sul-africano, o António Guterres salientou que Nelson Mandela «partilha do ponto de vista do Governo português de que a presença de Xanana Gusmão é um contributo muito importante para qualquer negociação definitiva em relação à situação de Timor-Leste e, por isso, é também do interesse dos indonésios libertá-lo».

António Guterres falava aos jornalistas em Cardiff depois de um jantar dos líderes da União Europeia com a rainha Isabel II de Inglaterra no final do primeiro dia de trabalhos da cimeira.

O chefe do Governo português teve na segunda-feira um encontro de meia hora com Nelson Mandela, convidado de honra da Cimeira Europeia, tendo pedido ao Presidente sul-africano para continuar a interceder junto de Jacarta pela causa de Timor-Leste e pela libertação de Xanana Gusmão e dos restantes presos políticos timorenses feitos pela Indonésia.

O primeiro-ministro considerou o encontro foi «muito interessante» e referiu que o Presidente Nelson Mandela prometeu «voltar a tentar influenciar o Governo indonésio no sentido da libertação de Xanana».

António Guterres disse no entanto que «não é apenas através do Presidente Mandela que se pode fazer alterar a posição da Indonésia, tratando-se de mais um passo de uma longa série de outros que têm de ser dados no sentido de motivar a comunidade internacional para pressionar a Indonésia».

Por outro lado, disse «ser indiscutível também que o Presidente Mandela vê de alguma forma em Xanana Gusmão uma espécie de réplica do seu próprio percurso político e que isso gerou um grau de simpatia e de empenhamento que pode ser extremamente útil».

Sobre a deslocação a Timor-Leste de uma missão de embaixadores em Jacarta de países da União Europeia (troika), António Guterres disse não ter ainda uma indicação definitiva sobre a data, mas salientou que a presidência britânica da União «revelou em relação a Timor-Leste um empenhamento que sensibilizou o governo português».

A propósito, António Guterres destacou que pela primeira vez Timor-Leste constou da agenda prévia de uma Cimeira Europeia, pois a questão apareceu expressamente mencionada na carta de convocação da reunião enviada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, aos restantes líderes da UE.

Ainda sobre o encontro com Nelson Mandela, o primeiro-ministro disse ter tido a oportunidade de analisar com o Presidente sul-africano a situação na Guiné-Bissau, o futuro da barragem de Cahora Bassa e as negociações de uma zona de comércio livre entre a UE e a África do Sul.

 

Guterres satisfeito com cimeira de Cardiff

UNIÃO EUROPEIA EXIGE LIBERTAÇÃO DE XANANA GUSMÃO

Por proposta do primeiro-ministro português, António Guterres, a União Europeia condenou o regime indonésio e exigiu a libertação de Xanana Gusmão, assim como de todos os presos políticos timorenses.

A posição dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia foi tomada durante a cimeira da Cardiff, na Grã-Bretanha, tendo a decisão deixado muito satisfeito António Guterres. No texto das conclusões do Conselho Europeu de Cardiff, especifica-se que foram discutidas as implicações «da presente situação em Timor-Leste». O Conselho Europeu «reafirmou a importância de uma solução justa, global e internacionalmente aceitável e o seu apoio aos esforços feitos sob os auspícios do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesse sentido». Ainda no texto das conclusões de Cardiff, os chefes de Estado e de Governo dos «Quinze» apelam à Indonésia «para que respeite os direitos humanos fundamentais e para que liberte todos os presos políticos, incluindo os timorenses».

Outro importante ponto que saiu do Conselho Europeu -- e que favoreceu Portugal --, relaciona-se com o reforço da perspectiva de empregabilidade em termos de apoios à criação de postos de trabalho. Por esta via, os critérios de distribuição de fundos não serão aplicados tendo em conta, unicamente, as taxas brutas de desemprego de cada Estado-membro -- o que prejudicaria os interesses de Portugal, em comparação com outros países.

Por outro lado, em termos de reforma institucional da União Europeia, nenhuma perspectiva se avançou no sentido de aumentar os poderes e a representatividade dos países com maior dimensão populacional entre os «Quinze».

Em matéria de fundos comunitários, Portugal também não comprometeu minimamente as suas aspirações para que a União Europeia aumente as políticas de coesão.