PS EM MOVIMENTO

 

ALGARVE
APOLINÁRIO NA EXPO

O líder do PS/Algarve, José Apolinário, esteve no dia 12, na Expo, que celebrou o «Dia Mundial do Turismo Algarvio».

José Apolinário que se deslocou à Expo, a convite da Região de Turismo do Algarve, sublinhou que o turismo no Algarve está a passar por um bom momento, o que, na sua opinião, «prova que a Expo em nada prejudica os fluxos turísticos para o Algarve e que, por isso, algumas das críticas avulsas feitas na região nos últimos tempos são totalmente desadequadas.

Por outro lado, Apolinário manifestou a sua preocupação ao Governo pelas dificuldades de acesso ao Algarve, designadamente porque o reduzido número de cabinas de portagem impede fortemente a fluidez do tráfego».

 

BRAGA
CONGRESSO DA FEDERAÇÃO

O dirigente histórico do PS Arons de Carvalho disse no dia 6, em Famalicão, que «o pano de fundo da realidade portuguesa é o de uma economia em crescimento, com descida da inflação e do desemprego e com uma relativa paz social».

«Há uma enorme diferença entre os acontecimentos do dia a dia da vida dos cidadãos e as críticas que a oposição tenta passar para a opinião publica», afirmou, acusando o PSD de se «desdobrar em iniciativas de pequeno alcance cirúrgico, na mira de atingir este ou aquele governante ou de fazer insinuações inverídicas, como sucedeu na pretensa ligação dos grupos económicos ao Governo».

Arons de Carvalho falava na sessão de encerramento do Congresso da Federação de Braga do PS, que decorreu numa escola de Vila Nova de Famalicão e em que foi eleita uma nova Comissão Política Distrital, afecta ao presidente do órgão, António Silva Reis, e liderada por Mesquita Machado.

Arons de Carvalho refutou as criticas do PSD, garantindo que «o Governo tem vindo a executar diversas reformas políticas e sociais, enquanto a oposição se entretém com a chamada "espuma da política".»

«As tais reformas que o PSD diz que não existem estão aí: o rendimento mínimo, a educação pré-escolar, a defesa do consumidor, as medidas para a educação e juventude», assinalou.

O dirigente do PS apelou à união de todos os militantes socialistas, tendo em vista os próximos referendos sobre a Europa e regionalização e as eleições legislativas.

 

BRAGANÇA
CONGRESSO FEDERATIVO

A moção «Com o PS para o Desenvolvimento Regional» foi aprovada no dia 7, por maioria, no Congresso Distrital do PS de Bragança, com um voto contra entre os 225 delegados.

O documento, que tem como primeiro subscritor o secretario de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, Armando Vara, será o suporte para o trabalho a desenvolver pela Federação Distrital liderada por Mota Andrade nos próximos dois anos.

A estratégia da moção passa pela «vitória do sim nos referendos que se avizinham e do PS nos novos desafios eleitorais, no distrito de Bragança», nomeadamente, as eleições legislativas para as quais a nova Federação definiu com o objectivo manter os dois deputados a Assembleia da Republica.

Armando Vara, que encabeçou a lista de deputados pelo distrito de Bragança nas eleições legislativas de 1995, afirmou que «se o PS assim o quiser, voltará a candidatar-se ao lugar de deputado».

O reconduzido presidente da Federação do PS de Bragança, Mota Andrade, defendeu que o «referendo sobre a regionalização ano deve ser adiado, devendo a sua realização manter-se para Outubro».

Mota Andrade disse ainda que «é altura de ficarem definidas posições e de o partido falar a uma só voz sobre a regionalização».

«O que pode acontecer é que, se não houver regionalização, é continuarmos com uma grande cidade com a macrocefalia de Lisboa, e criarmos outra grande cidade e outra mediacefalia no Porto. É contra isso que nos lutamos. Queremos desenvolvimento por igual», frisou.

O dirigente socialista anunciou que «a Federação de Bragança vai preparar um conjunto de sessões publicas de esclarecimento sobre as matérias dos referendos, nomeadamente, a regionalização e a despenalização do aborto».

 

COIMBRA
FAUSTO CORREIA REELEITO

O camarada Fausto Correia, o líder do PS de Coimbra reconduzido no dia 6 no cargo, manifestou o seu empenho na regionalização, frisando que os socialistas não receiam o veredicto dos portugueses no referendo sobre esta matéria.

«Somos pela regionalização de forma convicta e não temos medo do voto popular», declarou no discurso de encerramento do Congresso do PS de Coimbra.

Fausto Correia, cuja moção foi aprovada por unanimidade e aclamação pelos delegados ao congresso, não apresentou nenhuma proposta em que referenciasse a sua posição pessoal de defesa do adiamento do referendo sobre a regionalização, por entender que esta sua postura é minoritária no partido.

A pedido de Fausto Correia, a JS de Coimbra aceitou retirar da sua moção - aprovada com uma abstenção - a defesa do adiamento do referendo sobre a divisão do País em regiões.

«É uma matéria que é reserva dos órgãos nacionais do partido, no congresso federativo não havia espaço para discutir esta questão», disse o secretário de Estado da Administração Pública, em declarações aos jornalistas no final dos trabalhos.

A ideia que acabou por ser retirada da moção da JS de Coimbra, com a concordância do seu líder, Ricardo Castanheira, defendia um período mais alargado de debate nacional sobre a regionalização, por se tratar de uma «reforma de tal modo importante que não pode ser subjugada a "timings"eleitorais».

Fausto Correia entende que o processo «foi mal conduzido» por se concentrarem três referendos num curto período de tempo e esclareceu que a sua posição de defesa do adiamento constituiu «um grito de alerta» para que o PS realize «uma grande campanha de esclarecimento» sobre esta matéria.

A regionalização (e o referendo) foi uma questão central em algumas das cerca de duas dezenas de moções apresentadas no congresso e também nas intervenções dos delegados.

Na moção sectorial «Sim à regionalização/Não à desertificação/Solidariedade e coesão nacional», o presidente da Câmara de Gois admite o adiamento do referendo, «sobretudo para melhor esclarecimento das populações».

Aprovada por unanimidade, a moção de José Cabeças lança um apelo a «deputados e todos aqueles que possam contribuir para ajudar à vitória no referendo da regionalização, possibilitando a sua viabilização, nem que isso passe pelo seu adiamento».

Numa intervenção durante o Congresso, a vereadora da Câmara de Coimbra, Teresa Alegre Portugal, também defendeu «um recuo no ritmo previsto, em favor de um período de reflexão, conhecimento aprofundamento, que crie condições a um discurso sem ameaças e sem preconceitos».

Da moção que apresentou ao IX Congresso da Federação, a coordenadora da Secção de Assuntos Europeus da JS, Eliana Pinto, aceitou retirar a medida que preconizava referendar o princípio da regionalização e o mapa da divisão em momentos distintos.

 

Intervenção esclarecida de Campos

Por seu turno, o eurodeputado e dirigente histórico do PS António Campos, que fez uma das intervenções mais esclarecidas, tocou no cerne da questão da regionalização, ao afirmar que a regionalização «só faz sentido depois de se ter discutido um pacto de solidariedade, através do qual as regiões mais ricas estejam dispostas a ajudar as regiões mais pobres».

A intervenção do camarada António Campos centrou-se na questão essencial que levará à vitória no referendo, ou seja, a necessidade de um pacto de estabilidade em favor das regiões mais pobres, que é a condição necessária para que os portugueses que continuam cépticos em relação à regionalização, votem a favor desta reforma, cientes de que ela trará um desenvolvimento integrado e contribuirá para a coesão nacional e não para guerras bairristas entre as regiões mais ricas.

 

PORTO
JUNTOS PELA REGIONALIZAÇÃO

Os socialistas do Porto estão unidos em torno do seu líder, Narciso Miranda, e da causa da regionalização.

O presidente socialista da Câmara do Porto, Fernando Gomes, acusou no dia 6 os que «pretendem acantonar a classe política do Porto "às muralhas da cidade" de serem os mesmos que "chamavam picareta falante" ao secretário-geral do PS há uns anos».

Fernando Gomes, que falava no Congresso Distrital do PS/Porto, que reconduziu Narciso Miranda à frente da estrutura, criticou o que chamou de campanha de «meias verdades e muitas mentiras» sobre as suas posições regionalistas.

«Têm-nos acusado do pior. A última é a acusação de separatistas e de tanto a repetir darão de nós a imagem de mentores de uma espécie de república separatista», afirmou Fernando Gomes.

«Dizem-nos que não é essa a forma de fazer política nacional. O que querem é, de forma centralista, conseguir que ela não se faca fora de Lisboa. Nos somos uma grande elite política do País e queremos que se faca política nacional, tanto em Vila Real como em Coimbra ou Évora», salientou.

A regionalização foi tema constante nas intervenções durante todo o Congresso, desde os simples militantes ate aos ministros presentes, como Pina Moura e Manuel Maria Carrilho, passando por Carlos Lage e Mário Almeida.

Pina Moura, que se afirmou «tão à vontade no PS/Porto» que apareceu sem ter sido convidado, recordou o seu passado e o do partido na luta antifascista, comparando-os «ao dos que suportaram o regime anterior e agora pretendem dar-nos lições de democracia».

Manifestando todo o seu apoio a regionalização, «uma promessa eleitoral do PS», o ministro salientou que «o valor próprio do Porto, como cidade fundamental na criação da nacionalidade, torna ridículo que se acuse os seus cidadãos e particularmente os socialistas portuenses de lutarem contra a unidade nacional».

«A direita reaccionária quer contrariar a visão regionalista, porque não tem um projecto político para o País. Limita-se a caluniar e muda constantemente de opinião», afirmou, recordando que «há dois anos Marcelo Rebelo de Sousa era defensor das regiões».

Manuel Maria Carrilho manifestou uma posição semelhante no que toca quer à direita, quer à regionalização.

Classificando a AD como «um par de partidos que aparecem como muletas um do outro, sem rumo, sem causas e sem líder», considerou que na nova aliança singram «a intriga, os rumores e a destruição da nobreza da actividade política».

Quanto à regionalização, «todos sabem que ela é precisa, porque trará mais racionalidade e eficácia».