MANUEL DOS SANTOS
Aproxima-se o momento decisivo para se saber se a regionalização é, ou não, uma reforma viável na presente legislatura.
Tenho ao longo do tempo exprimido a minha opção totalmente favorável ao processo de regionalização.
Com efeito a regionalização, enquanto instrumento de reforma do Estado permitirá reforçar o nosso regime democrático (aproximando, no escalão intermédio da governação, os eleitos dos seus eleitores), eliminará tendencialmente ineficiências e ineficácias da Administração Pública, diminuirá a burocracia, promoverá e desenvolverá o efeito social das políticas públicas, permitirá, enfim, uma melhor distribuição, pelos diversas regiões do país, e sempre em obediência do principio da coesão económica e social, dos recursos escassos de que o país dispõe.
Já é para mim mais difícil de compreender a regionalização enquanto novo princípio estruturaste da divisão do poder político, na linha de algumas reivindicações mais populistas e na senda de processos similares ocorridos nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
É porque assim o entendo que não vi, desde a primeira-hora, nenhuma vantagem na realização do referendo ( que a revisão constitucional tornou obrigatório) sobre o processo de regionalização e, apoiei quer a divisão administrativa aprovada na Assembleia da República quer a atribuição de competências das regiões formulada pelo Partido Socialista.
Vejo assim com preocupação a forma como se está a debater a regionalização e as paixões que a mesma desperta.
Temo que estejam a ser criadas condições políticas e sociais que tornem impossível fazer a regionalização na presente legislatura e, pior ainda, que, se tal resultar de uma derrota no referendo, esta reforma seja perdida pela actual geração.
É por isso que me preocupo!
E me preocupo muito, quando ouço pessoas (políticos?) como o dr. Vieira de Carvalho (Presidente da Área-Metropolitana do Porto), apresentar um virtual plano milénio, aproveitando para falar sobre a regionalização, reivindicando verbas e recursos financeiros sem o mínimo de sustentação e de apoio e provocando com isso, não só um sentimento de contestação mas também permitindo que uma discussão séria deslize para o anedotário e para o ridículo.
E é aqui que entra o Almirante brasileiro Pena Boto!
Destacou-se este distinto militar essencialmente por uma faceta: a cruzada anticomunista em que se envolveu e que, ferozmente, comandou.
O seu fervor militante era tal que terminava, invariavelmente, os seus discursos anticomunistas (recheados de verdadeiras pérolas de oratória) com o acto simbólico de queimar a bandeira da União Soviética.
Parece que, após cada comício, aumentava exponencialmente o número e a qualidade da militância comunista no Brasil.
A coisa era de tal ordem que o distinto Almirante foi mandado calar (rapidamente e em força).
A comparação de Vieira de Carvalho com o Almirante Pena Boto é, naturalmente, uma mera concidência!
CARLOS ZORRINHO
Se Carlos Manuel, o infeliz timoneio do pior Sporting dos últimos anos, fosse chamado a comentar a «performance» oposicionista de Marcelo Rebelo de Sousa após o Congresso de Tavira, certamente que diria que o professor tem demonstrado muita atitude! A experiência leonina, no entanto, prova à saciedade que entre atitude e eficácia pode ir um longo caminho. E Marcelo optou pela estratégia da carraça, ou seja, por se ferrar nas costas do poder e segui-lo por todo o lado como uma sombra. Há aliás razões para pensar se a propalada Alternativa Democrática não será apenas uma cortina de fumo para a verdadeira alternativa que Marcelo patrocina, ou seja, para a Alternativa Mediática.
De facto, quando Guterres parte para Bruxelas ou para o Alentejo e se esperaria que Marcelo avaliasse a oportunidade política da deslocação e dissesse onde iria em alternativa e se fosse ele a governar, o indómito professor cola-se clandestinamente na última carruagem da comitiva oficial e acena aos jornalistas como se fosse um duplo contratado para abrilhantar as reportagens.
Incapaz de organizar a sua própria festa, Marcelo atarefa-se em tentar estragar as festas alheias. O povo português tem vernáculo suficiente para qualificar este tipo de comportamento, mas o decoro exigido para uma crónica de opinião aconselha-me a prescindir da sua citação!
O que surpreende é o mimetismo acrítico com que os Ferreiras e as Manuelas, os Mendes e as Teresas se aprestam a copiar o líder, alheios a todos os sinais, até aos que provêm da Marmeleira e doutros facos de lucidez e Sentido de Estado que vão sobrevivendo ao vendaval.
Curiosamente, também Portas adoptou a estratégia da carraça, embora, no seu caso, ferrado às costas do PSD, jogue numa certeza de vitória a prazo, cortando a meta no dorso de Marcelo, ou saltando revigorado antes da agonia do projecto comum, para retomar a estrada como líder da oposição.
Ao optar pelo jogo de destruição e pela marcação cerrada ao Governo, Marcelo dá contudo ao eleitorado uma prova clara de fragilidade. As equipas que só jogam para o zero a zero raramente erguem taças de vitória e o público farta-se depressa dos jogadores que se mostram mais capazes na provocação ao adversário do que em construírem eles próprios lances com princípio, meio e fim.
E arriscando um pouco mais na metáfora futebolística, o treinador Marcelo tem ainda algumas contrariedades acrescidas no seu caminho. O plantel é fraco e numeroso, o adjunto sonha ser treinador principal, os participantes mais habilidosos não se encaixam no sistema de jogo, e os financiadores não acreditam numa equipa que não hesita em chutar para a bancada dos sócios, só para queimar tempo e distrair o árbitro.
Mesmo que a carraça seja inofensiva, e não é certo que esta seja, não se aconselha a ninguém acomodar-se ao parasita, ou seja, à estratégia desenhada pela oposição. A desparatisação mais eficaz é contudo a coerência governativa, a solidez de opções, a clareza de prioridades, a coragem e a «atitude» ao serviço duma estratégia de modernização para Portugal.
Olhando para o quotidiano governativo não restam dúvidas que a terapia está em curso, mas nada se perderá se se dobrar a atenção ao receituário e acrescer ponderadamente a dose. É que há febres que irrompem quando menos se espera!
REFLEXÕES
IGLÉSIAS COSTAL
O facto de o homem ser um ser inteligente possibilita um ver e um olhar característico sobre tudo o que o rodeia. Ele próprio conceptualiza os interesses mais prioritários, tais como as necessidades que a cada instante são mais convenientes, para o seu bem-estar. Contudo, a influência exógena na multidisciplinariedade tem trazido cartas preocupações e inquietudes que o farão situar-se na expectativa e defensiva perante os problemas.
O que caracteriza a nova sociedade é a espontaneidade criativa que é deveras mutável, no plano da interiorização e da própria afectividade perante o desconhecido. Perguntar-se-á se a vivência de determinada atitude, contendo tipologias, poderá afectar o espírito do homem; a económica, tecnologia, social, entre outras. É este tipo de questões que devemos equacionar e debater antes da influência penetrar no nosso consciente ou subconsciente.
Todos temos a noção que a afectação psicológica condiciona o comportamento dos humanos. Quando determinada questão se coloca como inovadora para o nosso comportamento temos a tendência para reagirmos com formas mais ou menos estereotipadas perante o acontecimento.
A economia e o desenvolvimento que possam estar associadas a uma nova fase da experimentação emocional, o psiquismo interior, produzirá em muitas mentes desajustes momentâneos que poderão produzir anticorpos e não facilitar o progresso de determinado objectivo. Quando não se consegue o todo informativo a reacção é de duvidar e desconfiar. Por isso, é necessário, para a compreensão humana, o dar a conhecer todo o processo que se vai utilizar, para qualquer tipo de mutação. É normal a desconfiança perante o menos conhecido ou a inovação.
A economia deve reflectir a provocação da mudança no ser humano. Não tem acontecido porque quem provoca a mutação deseja a atitude da surpresa. Estas atitudes reflectem uma falta de visão perante os outros e traz problemas por vezes com dificuldades de acompanhamento na interiorização.
Os impactos para todos nós da novidade, inovação ou mudança são de interesse para questionarmos até que ponto o nosso relacionamento pode ser feito sem trazer perturbações ao nível do psicológico - um dos exemplos de grande impacto nas nossas vidas foi e é sem dúvida a televisão. Se relacionarmos os comportamentos e atitudes desde então, verificarmos que foram substanciais e substantivas as mudanças. Aquela pequena caixa trouxe outras perspectivas para a nossa vivência. Perspectivas que diria positivas, mas também algumas bastantes negativas, ou de apatia, pelo possível de não resolutivo, com a generalização e massificação dos problemas. Este é um caso típico na mexida do psicológico ao nível da influência e da empatia de milhões de humanos em todo o planeta.
Quando se invoca ou se descobre algo, a susceptibilidade é enorme na área da compreensão.
Outro exemplo é o da informática e como essa área do conhecimento objectivo ou não penetrou na nossas vidas. Por um lado, a facilidade, por outro, o controlo que essas ferramentas permitem estabelecer.
A maioria das pessoas já percebeu que os dias que correm trazem uma inquitação latente. Não é por acaso que a economia reage quase ao minuto a todos os problemas que se apresentam, sejam eles ecológicos, sociais, laborais, etc... A partir daí desencadeia-se todo o processo no psicológico dos interessados com fórmulas resolutivas outras para atenuar a crise ou crises que se possam desenvolver, sendo que último «crash» da bolsa de valores em todo o mundo é o exemplo como funciona a network. Hoje as economias são mais vulneráveis do ponto de vista da acção/reacção em cadeia.
Nos aspectos mais imediatos a quebra de entusiasmo, mas também a necessidade de sobreviver perante os problemas e as novas formas que se nos deparam. Esta forte vontade de estarmos com os acontecimentos, revitaliza toda a área mental com nítidas funções de interiorização, para ultrapassarmos os obstáculos.
É um facto que dia após dia a instabilidade está a tornar-se uma constante, afectando cada vez mais pessoas. Também, é facto, que o mundo em que vivemos, está a ser fértil naquilo que nos oferece, ou seja, há um custo/benefício que é preciso gerir na não afectação do mental.
A insegurança campeia cada vez com mais intensidade na mentalidade global. A economia que vem sendo praticada sobre todos nós é a economia do lucro, quando devia também ser a economia da solidariedade com impactos ajustados ao ser humano, para que a confluência do interesse fosse enorme e benéfica na razoabilidade do entendimento.
Tentar perceber os fenómenos da reacção perante o homem e o fenómeno ou a inovação no futuro deverá ser obrigatório.
É importante que o estudo e a interiorização da fenomenologia do interesse directo para os seres humanos, se faça com mais atenção, dado o interesse real para futuros comportamentos, frente à inovação e à conceptualização de tudo o que interfere com o foro psicológico do Homem.