«Impressionante, em termos físicos e psicológicos», foi como o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, descreveu a experiência de presenciar, na terça-feira, no Cabo Canaveral, Florida, o lançamento do vaivém espacial norte-americano «Discovery».
Foram três toneladas de cooperação científica à escala planetária num projecto de cooperação internacional sem precedentes, Portugal incluído, que rumaram aos céus a bordo do vaivém espacial «Discovery» em direcção à estação orbital russa «MIR». Três toneladas que dizem respeito à experiência conhecida por «AMS» ou «Espectrómetro Magnético Alpha», que visa a hipótese de fornecer à humanidade respostas ou pelo menos algumas indicações sobre a origem do Universo, nomeadamente a detecção de existência de antimatéria e matéria negra, que as teorias do aparecimento do Universo dizem dever existir.
Mas o lançamento de um vaivém é, também, uma experiência inigualável do ponto de vista humano dada a necessidade de congregar um somatório de «inteligências» e esforços conducentes à colocação em órbita de um aparelho que pesa mais de 125 toneladas, cujos foguetões de propulsão são recuperados para reutilização e em que a própria plataforma se mantém intacta.
Este lançamento, em particular, representou, segundo Mariano Gago «a manifestação mais concreta do final da guerra-fria e a entrada num estágio superior de cooperação à escala mundial», que vai culminar na colocação em órbita da estação espacial internacional «Alpha», em que a Europa está presente através da Agência Espacial Europeia.
A participação portuguesa no projecto «AMS» - uma aposta do Ministério da Ciência e Tecnologia - é coordenada pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), estando a ser controlada a partir de Houston, no Texas, pelo cientista Fernando Barão juntamente com outros cientistas.
Esta experiência científica é particularmente importante, do ponto de vista simbólico, para Portugal e para os portugueses, dado que seguem neste voo do vaivém, que ficará associado às comemorações dos 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia, uma bandeira portuguesa e uma gravura retirada do livro das armadas representando a frota do descobridor português, numa clara alusão ao paralelismo entre o «Discovery» e os antigos navegadores portugueses.
A REDACÇÃO