Reunião de Oslo
Uma resolução de apoio à autodeterminação de Timor Leste e à democratização da Indonésia e crítica do regime de Suharto foi apresentada e aceite pela mesa do Conselho da Internacional Socialista (IS) que esteve reunido em Oslo.
O texto apresentado ao Conselho (direcção alargada) da IS pela delegação portuguesa defende que a situação em Timor «se resolva de acordo com o Direito Internacional, mediante o livre exercício do direito à autodeterminação do povo».
Afirma ainda «a incapacidade demonstrada pelo regime de Suharto para levar a cabo» na Indonésia as necessárias reformas democráticas e apela ainda às autoridades do país para que «se abstenham de cometer actos de violência contra o seu próprio povo».
Defende, por outro lado, o estabelecimento de uma situação política democrática na Indonésia que permita à sociedade daquele país sair do beco sem saída em que a colocou o regime de ditadura e nepotismo».
O texto considera ainda «a situação de profunda crise política, económica e moral que provocou nos últimos dias centenas de mortos» e lembra que estão previstas para os próximos dias «manifestações populares em todo o país como meio de pressão para reformas democráticas».
António Guterres - que é vice-presidente da IS e presidente do seu Comité Económico - foi um dos participantes na reunião de Oslo da IS onde, à margem dos trabalhos do Conselho, teve encontros bilaterais com diversos dirigentes, entre os quais Yasser Arafat e o líder socialista de Israel.
O presidente da IS, Pierre Mauroy, antigo primeiro-ministro francês, no discurso da abertura da reunião, também focou o problema da violência na Indonésia e, em particular, do direito à autodeterminação do povo de Timor-Leste.
O discurso de Mauroy, segundo o secretário Internacional do PS, José Lamego, foi ao encontro da moção apresentada pelo PS português, o que permitiu dar continuidade ao consenso «que sempre existiu» dentro da IS em relação à questão timorense.
José Lamego liderou a delegação portuguesa à reunião de Oslo, depois de o secretário-geral do PS, António Guterres, ter regressado a Lisboa.
Antes de partir para a capital portuguesa, Guterres manteve, à margem da reunião, encontros com representantes de três partidos de países africanos que falam a língua portuguesa - MPLA (Angola), PAICV (Cabo Verde) e Frelimo (Moçambique).
António Guterres reuniu-se com o líder da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, encontro em que foi sublinhada a necessidade de serem cumpridos os acordos para a paz no Médio Oriente.
Guterres foi o único chefe de Governo presente na reunião do Conselho da Internacional Socialista realizada na capital da Noruega, que teve um encontro bilateral com o líder da Autoridade Palestiniana.
A urgência de ser retomada a confiança no processo de paz quebrada pelo governo israelita foi também afirmada no encontro, disse no final um dos presentes no encontro.
Foi ainda considerado que o Governo de Israel tem de retomar o processo de paz com seriedade e que os acordos assinados, nomeadamente o protocolo de Hebron, devem ser cumpridos.
Os apoios económicos e as relações da União Europeia com a Autoridade Palestiniana «que não podem ser melhores», segundo sublinhou Arafat, estiveram também presentes na mesa das conversações entre os dois líderes.
No final do encontro, António Guterres lembrou ainda que Portugal tem uma relação afectiva com a Autoridade Palestiniana baseada na visita que Mário Soares fez ao «bunker» de Arafat em Beirute.
Yasser Arafat, um dos participantes na reunião do Conselho da Internacional Socialista, teve de deixar Oslo de urgência pouco depois do encontro com Guterres, a fim de se dirigir a Londres para uma reunião com a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, no âmbito do processo de paz.
À margem dos trabalhos, o secretário-geral do PS encontrou-se
com outros dirigentes de diversos países, entre os quais Yehud
Barak, actual líder trabalhista israelita que, tal como o «histórico»
Shimon Peres, também se encontrava em Oslo.