SOCIEDADE & PAÍS 




Expo'98

TESTE NO ENSAIO GERAL FOI POSITIVO - PLANO DE EMERGÊNCIA APROVADO

A Expo-98 abriu no sábado, dia 9, para que 50 mil visitantes testassem o funcionamento do recinto, coberto durante 17 horas por um Plano de Emergência, Socorro e Salvamento, coordenado por três núcleos.

Do recinto os primeiros visitantes da Expo'98 saíram satisfeitos com o que viram, embora algo sedentos, cansados e bronzeados.

As críticas às longas filas de espera para visitar, entre muitas outras atracções, o Oceanário, não fizeram esquecer a experiência única que foi o primeiro contacto com a última exposição mundial do milénio.

A meta do simulacro era transmitir uma vivência tão real como a esperada ao longo do evento, numa área de 60 hectares que funcionará como uma cidade com 140 mil habitantes.

Os núcleos coordenadores - o Centro de Controlo Local (CCL) e os dispositivos terrestre e aquático - têm a incumbência de minimizar riscos nos 5,5 quilómetros da frente do rio e no interior do recinto.

Meios humanos com capacidade de vigilância, alarme, intervenção e controlo articulam-se com os meios materiais mobilizados para assegurar respostas a tempo e com máxima eficácia, em cenários que passam pela prevenção das quedas à água.

A Doca dos Olivais, ancoradouro dos transportes fluviais desde a Margem Sul, esteve e está no fulcro das atenções e em alerta permanente, com uma embarcação rápida, para vigilância e socorro, dotada com dois nadadores-salvadores, treinados para reanimação e equipados com meios à altura.

A frente de rio é referenciada com postes visíveis dia e noite, devidamente sinalizados, para permitir a rápida e correcta localização dos acidentes.

Todos os efectivos estão em contacto via rádio com o CCL, dispondo de acesso imediato a meios de socorro - varas de salvamento e bóias com facho sinalizador - distribuídos ao longo de toda a margem, a 50 metros de distância no quebra-mar e 70 metros na restante zona.

A estrutura humana garante a presença de pessoal vigilante, com capacidade de socorro, a intervalos de uma centena de metros durante o dia e horário público (das 10 às 20 horas), e cada 50 metros à noite.

A noite é o período considerado de risco agravado pela «motivação eufórica» da juventude, espectáculos e proximidade de bares ou restaurantes.

No rio, outras três embarcações rápidas cobrem sectores de vigilância e intervenção, sem prejuízo das instruções específicas do CCL.

Fora do horário público, a estrutura é aligeirada, mas fica assegurada a vigilância humana a intervalos de 200 metros, continuando em actividade serviços para permitir o normal desempenho no dia seguinte.

No rio, fica uma lancha para eventual assistência ao movimento de embarcações integradas no conjunto da exibição náutica.

Sempre que a gravidade dos acidentes o justifique, entra em acção o Centro de Operações de Emergência (COE), em articulação com o Centro de Operações e Controlo (COC) da Expo-98 e a Autoridade Marítima.

Polícia e bombeiros participam plenamente no plano, mas o seu número e intervenções não foram divulgados pela organização, que não ocultou a realização de simulacros de acidentes.

Os técnicos de saúde estão compreendidos no ensaio geral, que testa também à exaustão espectáculos, nomeadamente de rua, o funcionamento dos pavilhões temáticos, de empresas e 18 de países participantes voluntários, restaurantes de luxo, familiares, quiosques e prontos-a-comer.

Os países que se disponibilizaram para o ensaio foram a Alemanha, Macedónia, Argélia, Colômbia, Croácia, Dinamarca, Egipto, Eslováquia, Espanha, Finlândia, Hungria, México, Holanda, Polónia, Coreia do Sul, Suécia, São Tomé e Príncipe e Portugal.

Além destes estiveram ainda abertos ao público os pavilhões da ONU, Madeira, Açores, ICEP e de uma empresa.

Em teste estiveram, por último, os acessos por transporte rodoviário, ferroviário e fluvial, bem como por metro. O teste saldou-se com nota positiva.



Travessia por 500 escudos

Entretanto, foi divulgado que os bilhetes de ida e volta das viagens da Transtejo entre Montijo, Seixal, Cacilhas, na margem sul, o Terreiro do Paço, em Lisboa, e a Porta do Sol, na Expo'98, custarão 500 escudos aos maiores de seis anos.

Segundo Correia Alemão, presidente da Transtejo, uma só viagem, de ida ou regresso, custa 300 escudos.

As crianças até seis anos viajam gratuitamente, acrescentou.

A Soflusa, subsidiária da CP, que faz diariamente as carreiras entre o Barreiro e a estação Sul e Sueste, em Lisboa, aplica nas carreiras entre o Barreiro e a Expo'98 o preço de 800 escudos por bilhete de ida e volta e de 500 escudos para uma só viagem.

Nos barcos da Soflusa, os menores de 12 anos pagam 500 escudos por bilhete de ida e volta e 300 escudos por uma viagem.

Viajar nos barcos da Transtejo e da Soflusa implica a compra prévia de bilhete de entrada na Expo, o que poderá ser feito nos postos de venda instalados pela Parque Expo nas estações dos transportes fluviais.

Correia Alemão e Manuel Pombal, administrador da Soflusa, afirmaram à Lusa que a viagem por barco oferece aos visitantes da Expo, além de outras vantagens, a possibilidade de se livrarem dos previsíveis congestionamentos nos acessos por terra a Lisboa.

A Soflusa, que dispõe de uma frota total de oito barcos, com capacidade entre mil e 1 600 passageiros, para o serviço normal e diário entre o Barreiro e Lisboa, vai afectar pelo menos um barco à nova carreira para a Expo.

Os horários das novas carreiras para a Expo estão já fixados: as partidas do Barreiro estão marcadas para as 9 e 15 e 11 e 40 e às 22 e 30 e 2 e 25, havendo outras tantas viagens de regresso de manhã e à noite.

Na Transtejo, os horários estão ainda a ser ajustados, sendo certo que haverá três carreiras com partidas do Montijo, Seixal e Cacilhas, e outras tantas de regresso, de manhã, quatro partidas e os mesmos regressos à noite, com uma cobertura que começa logo de manhã e se prolonga até às três horas da manhã.




Documentos históricos na Torre do Tombo

HUMBERTO DELGADO: «EU ESTOU PRONTO A MORRER PELA LIBERDADE»

O espólio do general Humberto Delgado existente na Torre do Tombo foi hoje enriquecido com a dádiva de uma centena de documentos, fotografias e gravações que estavam em poder de particulares.

Por iniciativa de Iva Delgado, a filha do «general sem medo», que tem dinamizado em colaboração com o Ministério da Cultura a recolha desse espólio, um grupo de amigos de Humberto Delgado decidiu entregar à salvaguarda do Estado a correspondência particular e outros documentos relacionados com a campanha eleitoral de 1958.

Alguns desses documentos são exemplares únicos, como acontece com a gravação em fita magnética do discurso que Delgado proferiu num comício em Chaves, a 22 de Maio de 1958.

Trata-se da única gravação conhecida de um discurso do general em língua portuguesa em que, por coincidência, de uma forma quase premonitória Delgado afirma a terminar: «Eu estou pronto a morrer pela liberdade.»

A bobina com a gravação esteve até agora em poder de Júlio Montalvão Machado, que durante o fascismo a manteve enterrada no quintal para não ser apanhada pela PIDE.

Montalvão Machado, em conversa recente com o deputado socialista António Reis, mencionou a existência da gravação e daí surgiu a ideia de a integrar no espólio da Torre do Tombo.

As peças agora entregues vão juntar-se a todo o espólio que já existia na Biblioteca Nacional e que a partir de Dezembro de 1996 foi confiado à Torre do Tombo, onde também existe a documentação da PIDE referente ao general e às suas actividades como adversário do regime salazarista.

Brevemente a Torre do Tombo vai receber documentação sobre o exílio do general que se encontra na posse de José Augusto Seabra. Para já deram entrada as peças doadas por Beatriz Cal Brandão, Sérgio Carvalhão Duarte, Helena Mirandela, Júlio Montalvão Machado, Maria Domingas Galhardo e coronel Eugénio Oliveira.

Entre os documentos únicos doados figuram a inscrição de Humberto Delgado na Maçonaria Portuguesa e a resposta escrita pelo próprio general ao inquérito disciplinar que a Força Aérea lhe moveu em Dezembro de 1958 por «actos de indisciplina e subversão».

O director da Torre do Tombo, Vasconcelos e Sousa, depois de agradecer aos doadores o espólio e de salientar o empenhamento pessoal de Iva Delgado, recordou que a Torre do Tombo «é um lugar de memória e a memória não é neutra».

«Quando as decisões dos particulares se encontram com as competências de uma instituição pública, como hoje aqui estamos a testemunhar, podemos dizer que todos ficamos mais ricos», concluiu.

Presente na cerimónia o ministro da Cultura fez votos para que a este exemplo se sigam no futuro muitos outros casos de doação de espólio para a melhor compreensão da história recente de Portugal.

Na assistência muitas caras conhecidas de intelectuais e antifascistas como Barata Moura, José Manuel Tengarrinha, Jorge Miranda, Eduardo Prado Coelho, Teresa Gouveia, António Dias Lourenço e coronel Vasco Lourenço.




CPLP

I CONFERÊNCIA SINDICAL - TRABALHADORES LUSÓFONOS UNIDOS

Os trabalhos da I Conferência Sindical da CPLP encerraram no dia 8, com a leitura das conclusões, presidindo à sessão José Sócrates, ministro Adjunto do primeiro-ministro.

As 13 centrais sindicais dos sete países da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - aprovaram por unanimidade a constituição da Comunidade Sindical Lusófona, na primeira conferência de sindicalistas lusófonos, que decorreu no Monte de Caparica.

Entre os objectivos da novel instituição sindical conta-se, em especial, «o reforço da solidariedade e cooperação entre os trabalhadores da CPLP».

A criação da Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa antecede a Cimeira da Praia, Cabo Verde, em Julho próximo, que reunirá os chefes de Estado e primeiros-ministros dos sete países da CPLP, e à qual será enviada uma declaração do novo órgão sindicalista lusófono.

A Comunidade Sindical tem também um alcance mais longo, que é ser «um passo decisivo para um futuro Conselho Económico Social da CPLP», conforme um outro documento aprovado e a remeter aos chefes Estado e de Governo, por ocasião da cimeira de Cabo Verde.

Para João Proença, secretário-geral da UGT, entidade organizadora desta I Conferência Sindical da CPLP, «o porquê» da nova Comunidade Sindical ultrapassa em muito o reforço dos laços de cooperação entre os países de Língua Portuguesa, designadamente «procurar influenciar as políticas económicas e sociais nos países da CPLP, tanto no geral, como nas diversas áreas».

Presente na Conferência, o secretário de Estado do Emprego e Formação, Paulo Pedroso, defendeu, na sua intervenção, que face à globalização das relações económicas mundiais deve existir um movimento sindical unido e transnacional.

Para Paulo Pedroso, «a promoção da cooperação entre os movimentos sindicais dos vários países, bem como o desenvolvimento das plataformas supranacionais que existem, é um passo seguro para que o movimento sindical continue a desempenhar, de forma moderna, o seu papel histórico na promoção do diálogo social».

As 13 centrais fundadoras da CPLP sindical solicitam o seu reconhecimento na próxima Cimeira dos Chefes de Estado e do Governo a realizar na Cidade da Praia e o estabelecimento de mecanismos concretos de diálogo entre CPLP-Sindical e a CPLP, quer a nível geral, quer nas diversas áreas e políticas sectoriais.




CPLP - ALP

CRIADA ALIANÇA DE AGÊNCIAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

A Aliança das Agências de Informação de Língua Portuguesa (ALP), que congrega todas as agências noticiosas lusófonas, foi, terça-feira, formalmente constituída em Lisboa.

Integram a ALP as agências ANG (Guiné-Bissau), Angop (Angola), AIM (Moçambique), Cabopress (Cabo Verde), Lusa (Portugal), Radiobrás (Brasil) e STP-Press (S.Tomé e Príncipe).

A Aliança das Agências de Informação de Língua Portuguesa (ALP) entrou assim em fase de estudos técnicos e operacionais, para arranque de edição ainda durante o ano corrente.

A ALP tem por objectivos lançar as bases operacionais da cooperação multilateral entre as várias agências noticiosas nacionais lusófonas, nas vertentes da formação profissional, transferências tecnológicas e elaboração de programas comuns na sua área de actividade.

No seu âmbito, será criado um serviço noticioso comum via multimédia com duas vertentes, sendo a primeira de Intranet entre as várias agências, e a segunda voltada para o exterior com difusão informativa via Internet.

Será ainda criada uma base de dados on-line sobre os vários países que constituem a ALP e que seja susceptível de complementar e contribuir para uma maior visibilidade e divulgação dos países lusófonos e da lusófonia.




Guterres inaugura lanço de auto-estrada

ÉVORA E ESTREMOZ MAIS PERTO

Desde o passado dia 7 é mais fácil e célere a ligação entre Évora e Estremoz, com a abertura ao trânsito do lanço da auto-estrada (AE) 6, que tem uma extensão de 46,2 quilómetros.

O primeiro-ministro, António Guterres, visitou no dia 7 o lanço da auto-estrada 6 (A6), entre Évora e Estremoz, que entrou ao serviço no dia seguinte.

O novo troço de auto-estrada da Brisa em direcção à Espanha, na extensão de 46,2 quilómetros, representou um investimento global de 20,5 milhões de contos, o que corresponde ao custo de cerca 420 mil contos por quilómetro.

A A6 ligará a zona fronteiriça Caia-Badajoz directamente à Ponte Vasco da Gama, com passagem por Montemor-o-Novo e Vendas Novas, constituindo o principal acesso a Lisboa e à Expo-98 para quem circule a partir do Centro e Sul da Espanha.

António Guterres esteve acompanhado pelo ministro do Equipamento, João Cravinho, pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Maranha das Neves, membros do Conselho de Administração da Brisa e outras personalidades.

Entre Estremoz e Vila Boim, e enquanto não for concluída a auto-estrada, os automobilistas terão no entanto de transitar pela Estrada Nacional 4 (EN 4), ao longo de 40 quilómetros que estão a ser beneficiados com grandes obras de reparação.

A via, que passa por Borba, tem uma largura total de sete metros, divididos numa via em cada sentido, e bermas com 3,5 metros.

A obra foi entregue pelo empreiteiro à Junta Autónoma de Estradas (JAE) no dia 15.

Entretanto, dia 20 abre ao trânsito o último troço da A3 que liga Portugal e Espanha em Valença-Tuy.

Esta ligação, que será a primeira das cinco previstas por auto-estrada entre os dois países deverá ser assinalada com as presenças dos chefes de Governo de Portugal, António Guterres, e da Espanha, José Maria Aznar.

Das obras em curso no Sul do País, aguarda-se o anúncio da abertura para breve do lanço da auto-estrada do Sul, entre Alcácer e Grândola-Sul, onde o tráfego durante algum tempo ficará condicionado na ponte sobre o Sado.

Entretanto, foi já adjudicada a empreitada da Via Infante de Sagres, o troço do IC 4 entre a Guia e Alcantarilha, numa extensão de 6,8 quilómetros, que representa um investimento de 3,941 milhões de contos e que tem um prazo de execução de 550 dias.

O troço, que vai integrar a futura SCUT do Algarve (auto-estrada com portagem sem pagamento pelo utilizador) vai permitir a interligação ao Itinerário Principal Um (IP 1), que se desenvolve desde o Minho ao Algarve.




Cultura - Beiras Litoral e Interior

FINANCIAMENTOS DE 630 MIL CONTOS PARA QUATRO BIBLIOTECAS MUNICIPAIS

O Ministério da Cultura celebrou, no dia 7, acordos de colaboração para a construção de bibliotecas municipais em Oliveira do Bairro, Nelas, Mealhada e Figueiró dos Vinhos, cujo valor deverá ascender a 630 mil contos.

A celebração dos protocolos, entre as câmaras municipais e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, decorreu em Soure, no âmbito do «Ministério da Cultura Aberto» às Beiras, e coincidiu com a inauguração da biblioteca municipal local.

A construção das bibliotecas insere-se no projecto de criação de uma rede nacional. Nestes quatro empreendimentos os custos da obra vão ser repartidos, em partes iguais, entre o ministério e as autarquias.

Ao intervir na sessão, o ministro da Cultura realçou que através dos acordos «mais quatro comunidades se vão enriquecer com um importante instrumento cultural».

«No cerne do desenvolvimento de um País está a afirmação da cultura», referiu, classificando de «atraso social» algumas críticas ao seu desempenho, ou a questionar investimentos em certas áreas culturais.

Para Manuel Maria Carrilho, «sem uma administração eficaz ao nível da cultura não haveria uma rede de bibliotecas» que gradualmente se vai estendendo pelo País.

«É por afirmações desta natureza que o País se mantém na cauda da Europa», afirmou, sugerindo que, sobre a administração da cultura, se olhe para outros países, outras experiências, e se evitem os erros.

João Gouveia, presidente da Câmara de Soure, fez votos para que os munícipes do seu concelho utilizem a biblioteca, rentabilizando os encargos correntes e melhorando o seu nível cultural e qualidade de vida.

Após a visita a Soure, o ministro da Cultura deslocou-se a Montemor-o-Velho, onde visitou os trabalhos em curso para a recuperação do Teatro Esther de Carvalho, um imóvel do início do século e em avançado estado de degradação. No projecto de reabilitação o Ministério já investiu 45 872 contos.

Naquele município do distrito de Coimbra, Manuel Maria Carrilho presidiu à celebração de dois acordos com a Câmara Municipal. Um deles, em forma de contrato-programa, para a transferência da gestão corrente do Castelo para a autarquia.

O segundo acordo compromete o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) a lançar a obra de construção de uma casa de chá no interior do Castelo, aproveitando as ruínas do «Paço das Infantas». A concluir até finais de 1999, deverá custar 40 mil contos.



Uma lei antes do fim da legislatura

O Ministério da Cultura tenciona colocar à discussão, até ao final deste ano, o esboço de uma lei do teatro, para entrar em vigor na actual legislatura, antes do fim de 1999, revelou, no passado dia 7, Manuel Maria Carrilho.

Em declarações à Comunicação Social, no segundo dia do Programa «Raízes» na Beiras, explicou que a proposta de diploma incorporara três componentes distintas, o teatro profissional, o amador e o universitário.

«Sem pôr em causa as obrigações para com o teatro profissional, queremos definir quais são as responsabilidades do Estado no sector», sublinhou.

Pretendendo conferir um estatuto de igual dignidade as três modalidades, é intenção enquadrar o teatro profissional, amador e universitário num único diploma, passando a haver critérios definidos para as duas últimas modalidades, que até agora ficavam um pouco dependentes da apreciação casuística das direcções regionais da cultura aos pedidos de apoio.

Manuel Maria Carrilho reuniu-se com a Associação Académica de Coimbra e grupos de teatro universitário da cidade, para os auscultar sobre o seu propósito de criar um novo plano de apoio.

O ministro prometeu que haverá uma política para o teatro universitário, delineada com os seus responsáveis e pensada numa perspectiva de «aumento qualitativo».

Disponibilizou um apoio de 4 500 contos para as comemorações dos 60 anos do CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) e 2 500 contos para a realização do «Actos», um Encontro Nacional de Teatro Universitário, a decorrer a 16 e 17 na cidade.

Cláudia Carvalho, organizadora do encontro e ligada ao TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), referiu que um dos objectivos é definir qual deverá ser o estatuto do teatro universitário.

Em conversa com os jornalistas no final do encontro, a estudante lamentou que o teatro universitário não disponha de enquadramento legal, vivendo-se numa situação de vazio, por não poder ser visto a luz da modalidade de amador.

Manuel Maria Carrilho disse que o seu ministério estará atento às conclusões do encontro de Coimbra e um membro do IPAE (Instituto Português das Artes do Espectáculo) acompanhará os dois dias de trabalhos.



Património sim, mas não só...

O ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, afirmou na passada quinta-feira, dia 7, em Coimbra, que não enveredará por uma política cultural de «pedras», limitada ao património, como alguns dos seus críticos preconizam.

«Não nos escondemos atrás da política do património», declarou Carrilho, na sessão de entrega da medalha de mérito cultural a Albano da Silva Pereira, pelo trabalho desenvolvido enquanto director dos Encontros de Fotografia de Coimbra.

Em oposição aos que pretendem uma «política de pedras», disse que aposta em causas como a descentralização, a internacionalização ou a leitura.

Ao destacar a orientação da sua política para a descentralização cultural, Manuel Maria Carrilho referiu que, porventura, mais importante seja ainda apostar em novos centros culturais, tal como vê os Encontros para a área da fotografia em Coimbra.

«O mais importante resultado talvez seja apostar em centros de qualidade, de ousadia, apostar no seu enraizamento e expansão», sublinhou.

Durante a visita de quinta-feira a Coimbra Carrilho lamentou que os Encontros de Fotografia não dispusessem de instalações para dinamizar iniciativas todo o ano, mas na homenagem prometeu empenhar-se na criação do polo de artes que a Câmara lhe apresentara.

«Tudo farei, com outros organismos e outros ministérios, para levar por diante esse projecto», a ideia de fazer regressar ao Pátio da Inquisição as artes numa dimensão contemporânea, num sitio onde há séculos funcionou um colégio das artes.

O projecto de recuperação dos edifícios do Pátio da Inquisição, orçado em 900 mil contos, foi apresentado pela câmara ao ministro, na expectativa de este vir a conceder apoio para a sua concretização.

No Pátio da Inquisição já se encontram instalados provisoriamente uma galeria dos Encontros de Fotografia, a companhia teatral Escola da Noite e a associação de intercâmbio com os países de expressão portuguesa «Cena Lusófona».

Além da recuperação desse edifícios degradados, a câmara tenciona criar as condições para aquelas três instituições poderem reforçar o seu papel de intervenção cultural na cidade.




Eleições na Universidade de Coimbra

FERNANDO REBELO ELEITO NA SEGUNDA VOLTA

O catedrático da Faculdade de Letras Fernando Rebelo foi eleito reitor da Universidade de Coimbra (UC), no passado dia 6, derrotando Reis Torgal na segunda volta do sufrágio.

Aquele geógrafo obteve 130 votos, contra 100 do seu adversário, historiador e também professor da Faculdade de Letras.

Na segunda volta das eleições para reitor, manteve-se o nível de abstenções da primeira. Votaram 240 dos cerca de 270 membros da Assembleia da Universidade e deram entrada na urna 10 votos em branco.

Fernando Rebelo, 54 anos, assume funções em Junho e é o segundo reitor da UC oriundo de Letras nos últimos 80 anos, depois de Joaquim Mendes dos Remédios, da mesma faculdade, ter exercido o cargo por duas vezes, na primeira década de vigência da República.

Com a eleição de Rebelo, a Faculdade de Letras põe fim a uma «dinastia» de 25 anos de reitores oriundos de Direito, desde o 25 de Abril de 1974: Teixeira Ribeiro, Ferrer Correia e Rui Alarcão.

Esgotadas as possibilidades legais de se recandidatar, Rui Alarcão cessa um consulado de 16 anos.

Como sublinhou o candidato derrotado, Reis Torgal, Fernando Rebelo vai procurar levar à prática um projecto de uma «certa continuidade» do reitorado de Alarcão.



Um reitor, um perfil...

O geógrafo Fernando Rebelo nasceu a 16 de Setembro de 1943, em Espinho, e licenciou-se em 1964 na Faculdade de Letras de Coimbra, com 17 valores.

O novo reitor da Universidade de Coimbra (UC) foi durante uma década vice-reitor de Rui Alarcão.

Fernando Manuel da Silva Rebelo apresentou uma candidatura subordinada ao lema «Para uma Universidade mais forte, mais solidária e, sobretudo, mais confiante em si própria».

O seu projecto aposta, principalmente, na colaboração estreita com os órgãos da instituição, para «melhorar significativamente a qualidade do ensino ministrado».

O sucessor de Rui Alarcão quer combater a «vaga de pessimismo que grassa na Universidade de Coimbra», «lutar contra o desanimo e tornar visível tudo o que faz grande» uma das mais antigas universidades do mundo, criada em 1290 pelo rei D. Dinis.

Fernando Rebelo progrediu na carreira académica até ao grau de professor catedrático, lugar de que tomou posse em Marco de 1982.

Exerceu vários cargos nos órgãos da Faculdade de Letras e, em 1986, foi indigitado pelo reitor da Universidade, Rui Alarcão, para o lugar de vice-reitor.

Teve a seu cargo diferentes pelouros da reitoria até à exoneração do cargo, a seu pedido, há dois anos.

Publicou mais de uma centena de títulos, entre livros, capítulos de livros, artigos de revistas e comunicações apresentadas em congressos.

Entre numerosas actividades cientificas, colaborou igualmente com enciclopédias (cerca de 400 artigos e pequenas notas de carácter geográfico), especialmente na Luso-Brasileira de Cultura Verbo.