EDITORIAL




A CONTESTAÇÃO SAIU À RUA

O regime sanguinário da Indonésia está a entrar em perfeito delírio. A contestação política e popular, mesmo contra a forte repressão policial, já fixou o seu lugar nas ruas de Jacarta.

Suharto é a actual manchete negativa em todos os jornais do mundo. A sua desastrosa política económica transformou o país num verdadeiro campo de batalha e de contestação popular. O uso indiscriminado da força tornou-se o último refúgio deste regime caduco.

A já tradicional contestação estudantil ao regime alastrou, recentemente, à população que se vê em cada dia com mais dificuldades económicas.

Esta conjugação de esforços e vontades, aliada ao enorme desejo de liberdade e à conquista da democracia, tem atingido proporções que têm feito tremer Suharto, ao ponto dos mais variados observadores internacionais colocarem num horizonte muito curto a queda desta já longa ditadura oriental, facto que até há pouco tempo se encarava com alguma dificuldade.

Esta forte união estudantes-população, que apesar das mortes não tem esmorecido, aliada à profunda crise económica que o país atravessa, à consequente instabilidade política e à pressão internacional fazem prever que, tal como a resistência timorense tem afirmado repetidamente, o regime ditatorial de Suharto tenha os dias contados.

Todos os mais recentes acontecimentos políticos, ampliados pelas cadeias de televisão internacionais, com imagens da polícia a disparar contra a população indefesa, com o principal opositor ao regime a exigir a demissão do ditador, demonstram as dificuldades e a instabilidade que o regime indonésio atravessa actualmente.

Resta saber se a queda anunciada de Suharto e dos seus acólitos abrirá, como prometido, uma nova era de relações e entendimentos políticos com Timor-Leste permitindo desta forma restabelecer os direitos e liberdades deste massacrado povo.

Igualmente decisivo neste processo é o papel do poder económico e, nomeadamente, dos países com interesses directos nas plataformas petrolíferas do mar de Timor e no mercado económico da Indonésia que poderão dar um pequeno mas importante balanço à cadeira de Suharto.

A REDACÇÃO