Ainda recheada do espírito natalício e durante o primeiro mês de 1998 a Galeria de Arte de Abrantes espera por si para lhe oferecer uma prenda muito especial. Trata-se da oportunidade de apreciar o ciclo «Jacob», um conjunto de trabalhos do reconhecido pintor alemão Thomas Schittek, executadas ao ar livre perante a paisagem do Vale da Freira, durante a Primavera de 1997.
Tanto as aquarelas como os óleos não escondem a influência do ambiente natural que nos caracteriza, ostentando, pelo contrário, todas as suas cores e formas.
As obras mostram, numa articulação reduzida, o jogo entre os elementos constituintes do reino da natureza e as ondulações inacessíveis que os artistas, também humanos, precisam de enfrentar.
A organização visual deste catálogo, dividido em três partes, permitiu uma escolha racional de tonalidades e cores.
De um lado uma aquarela com cores primárias, do outro lado outra aquarela com cores secundárias, fazendo lembrar a existência da polaridade. No centro, um óleo unificador das duas extremidades... E, apesar de tudo isto, cada obra mantém a sua própria individualidade.
No que diz respeito às formas, os trabalhos de Thomas Schittek mostram o humano, o animal, os elementos como terra. Luz, água e vegetação, numa bênção a Portugal por reunir na sua modesta dimensão territorial tanta diversidade.
Thomas Schittek, artista que estudou técnicas de impressão na Universidade de Munique e pintura sobre vidro e arte do mosaico na Academia de Belas-Artes da mesma cidade alemã, é o autor desta convite irrecusável para os amantes da contemplação da beleza.
(MJR)
«Na Praça Vale Tudo» é o nome da peça que o Grupo de Teatro da Casa do Povo de Cerzedo levará ao palco do Arco de Baúlhe, no sábado, dia 10, pelas 21 horas.
Até hoje estará em exibição, no Cinema São Tiago, o filme «Tentação», de Joaquim Leitão, com Joaquim Almeida, Cristina Câmara e Ana Bustorff, nos papéis principais. As sessões diárias desta sala são às 15 e 30 e às 21 e 30
O Teatro Académico de Gil Vicente da Universidade de Coimbra reservou o horário das 21 e 45 deste sábado, dia 10, para o espectáculo de dança intitulado «In Limite», a cargo do Balleteatro Companhia.
Para os apreciadores da Sétima Arte, o mesmo recinto exibirá uma série de filmes, na rubrica «A Vez dos Actores». Assim, na terça-feira, dia 13 e na quarta-feira, dia 14, será a vez de Al Pacino exibir a magistralidade do poder interpretativo na película de Martin Brest, «Perfume de Mulher».
O Café-Galeria Almedina alberga, desde o dia 6, a mostra dos trabalhos do pintor Siljo.
Até ao dia 6 de Fevereiro, estará patente, no Átrio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, a mostra «Bernardino Machado na Caricatura Política».
Mais tempo, sem dúvida, esperará por si a exposição permanente localizada no 6º andar da Fundação Cupertino de Miranda e que integra o acerbo artístico da referida instituição.
O Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular está a realizar uma exposição itinerante de pintura galaico-portuguesa pelas 18 cidades do Eixo Atlântico que reúne as obras candidatas ao II Prémio de Pintura daquela associação. Esta mostra estará patente ao público, em Guimarães, até ao dia 20, no Paço dos Duques de Bragança.
Para os apreciadores de andebol, basquetebol e futebol o começo de 1998 apresenta já eventos interessantes, começando já no domingo, dia 11, com os tão esperados campeonatos.
Hoje, às 21 e 30, e amanhã, pelas 19 horas, no Grande Auditório da fundação Calouste Gulbenkian, a Orquestra do mesmo nome, dirigida pelo maestro Muhai Tang e acompanhada pelo solista ao piano Andrea Lucchesini, interpretará as obras de Antonín Dvorák, Fryderyk Chopin e Sergei Prokofiev.
A peça teatral de Lars Norén, «A Noite é Mãe do Dia», é a sugestão apresentada pelo Centro Cultural de Belém, no seu Pequeno Auditório, para hoje, amanhã, o sábado, dia 10, e para a segunda-feira, dia 12, às 21 e 30, incluindo-se uma sessão especial, no dia 11, às 17 horas.
Trata-se de uma peça que retrata um dia na vida de uma família sueca no início dos anos 60. É também um intenso drama que lembra «Jornada para a Noite», de Eugene O'Neil.
Às 16 e 30 do domingo, dia 11, António Duarte recriará, no seu órgão, as composições de Manuel Rodrigues Coelho, Francisco Correia de Arauxo, Joan Cabanilles e Claude Balbastre, na Igreja de São Vicente de Fora.
«The Harlem Gospel Show» é o espectáculo, com Linda Hopkins, que esperará por si, no Coliseu dos Recreios, até ao dia 11.
Às 10 horas de domingo disputar-se-á o Prémio Vidreiro. Sem dúvida um interessante evento desportivo.
Os Teatros Nacionais São João e D. Maria II apresentam «O caminho para Meca», de Athol Fugard. Trata-se de uma peça a estrear hoje e que permanecerá em palco até ao dia 18, de terças-feiras a sábados, às 21 e 30 e aos domingos, pelas 16 horas.
Esta encenação de João Lourenço conta com as interpretações de Eunice Muñoz, Irene Cruz, José Gomes e Virgínia Brito.
O cantar das Janeiras chegará ao Centros Comerciais Via Catarina e Cidade do Porto às 15 e às 18 horas do sábado, dia 10.
Quinto Crescente é o local a visitar se procura apreciar a exposição de cerâmicas e artefactos de Xana Mayer Duarte ou de serigrafias de Miguel Yeco. A mostra estará patente até ao dia 10.
Amanhã, inaugurar-se-ão, em simultâneo, duas exposições na Galeria Municipal de Fitares, às 21 horas, que ficarão abertas ao público até ao dia 8 de Fevereiro.
No 1º piso da referida Galeria poderá apreciar a mostra de pintura e desenho de José Cândido, enquanto no 2º piso as pinturas a exposição de trabalhos pertence ao pintor Alves Dias.
Uma (Po)ética
Se eu de vez em quando não for desistindo
ou de uma palavra ou lembrança ou cheiro
- fulcros de ameaça, cores vivas de um excesso,
magma (mesmo cinza) de um vulcão não extinto -:
Se eu de vez em quando não marcar um ritmo
impresso em um livro, contra a guerra, um verso
com que das catástrofes se comprime o impulso
que ao Tempo ameaça com o perigo de um crime:
Se eu de vez em quando não lacrar mil vinhos
numa garrafeira de tranquilo gosto -
não encontra o pulso o coração inteiro,
não regula o sangue o túnel do espírito...
Não segura o peso seu próprio corpo,
e um Deus não se encontra perfeito e benigno.
Travanca Rego
À memória de David Mourão-Ferreira
1997