CIÊNCIA & TECNOLOGIA 




Protocolo

NOVAS COBAIAS PARA INVESTIGADORES PORTUGUESES
UNIDADE DE MANIPULAÇÃO E TERAPIA GENÉTICA

O ministro da Ciência e da Tecnologia, Mariano Gago, e o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, António Ferrer Correia, assinaram, no dia 15, na Sala de Honras da Fundação Gulbenkian, o protocolo para a instalação de uma Unidade de Manipulação e Terapia Genética.

O Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) financia o custo total desta infra-estrutura científica, no valor de 176 mil contos. Em contrapartida, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) fornece à comunidade científica nacional pequenos animais para experiências de biomedicina, geneticamente manipulados. O MCT continua, assim, os esforços para dotar o País de unidades susceptíveis de proporcionar uma actividade de investigação científica com parâmetros de elevada qualidade.

Esta Unidade, a instalar no IGC, em Oeiras, tem como objectivo a produção de novas estirpes de ratos e murganhos portadores de mutações genéticas definidas. As equipas de cientistas portugueses poderão, a partir de agora, utilizar novas tecnologias que permitem introduzir genes na linha germinal de ratos e ratinhos de laboratório ou, inversamente, procederem à inactivação dirigida desses genes.

Trata-se de tecnologias que abrem enormes possibilidades à investigação biomédica, permitindo, nomeadamente, criar modelos animais de variadas doenças humanas. Tais modelos experimentais são de importância capital nos estudos de fisiopatologia dessas doenças e, consequentemente, na descoberta da sua cura.

De acordo com o texto do protocolo assinado na passada segunda-feira, o IGC compromete-se a assegurar a produção de ratos e ratinhos transgénicos, bem como a formação de técnicos e investigadores nas tecnologias associadas; a garantir a produção e manutenção desses animais em condições de «germ-free» (ou seja, em instalações livres de contaminação) e permitir o acesso a eles, nas instalações do Instituto, de investigadores nacionais que deles necessitem; assegurar a descontaminação de estirpes ou linhagem de ratinhos por cesariana ou transferência de embriões, bem como a conservação de arquivos de embriões congelados.

Paralelamente, o IGC assegura, no seu Biotério, a produção de ratos e ratinhos puros «inbred» (em que os animais são geneticamente idênticos, quase como se fossem todos gémeos verdadeiros), e a sua distribuição à comunidade científica nacional.

Num período transitório de um ano, o IGC continuará a assegurar a produção e distribuição de animais de estatuto genético não diferenciado («outbred»), assim como assegurará o apoio técnico a transferência para outros locais a indicar pelo MCT desse tipo de animais, até aqui produzidos no Biotério do IGC.

Serão ainda, ao abrigo do protocolo entre o MCT e a Fundação Gulbenkian, introduzidas novas tecnologias de produção e manutenção de pequenos roedores experimentais, disponibilizando-as à comunidade cientifica nacional, nomeadamente os serviços de um centro de controlo de qualidade microbiológica e genética dos animais.

A Unidade de Manipulação e Terapia Genética será dotada de uma Comissão de Aconselhamento Científico, que será exterior, constituída por peritos, incluindo investigadores estrangeiros. A esta comissão compete analisar o funcionamento de unidade, emitir parecer sobre o seu plano e relatório de actividades anuais e sobre o seu orçamento.