António Guterres lança apelo
No concelho mais socialista de Portugal, Gavião, distrito de Portalegre, António Guterres frisou como é essencial mostrar um cartão amarelo aos partidos da Oposição, no próximo domingo, elegendo, em contrapartida, a continuidade do valor da estabilidade política em Portugal através do voto no PS. O secretário-geral do PS, no seu discurso, sublinhou os múltiplos progressos económicos e sociais registados no País, ao longo dos dois últimos anos. E respondeu a acusações demagógicas proferidas pelo líder do PP em torno do tema da droga. Antes de partir para o Luxemburgo, onde participará a partir de hoje em mais uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Guterres referiu-se também aos recentes incidentes ocorridos na campanha eleitoral, tendo lançado a todos as forças políticas um apelo de serenidade.
Segunda-feira à noite, no concelho do Gavião, o secretário-geral do PS não teve medo em assumir uma leitura nacional em relação aos resultados eleitorais do próximo domingo. Contrastando com o teor de recentes declarações proferidas pelo líder PSD, que procura agora a todo o custo atribuir apenas um significado secundário às eleições autárquicas, António Guterres pediu aos portugueses para que reforcem a sua votação nos candidatos socialistas, de forma a que não existam mais dúvidas de que a maioria dos eleitores está ao lado da política seguida pelo actual Governo.
No município mais socialista do País, deixou então bem claro que «só há uma maneira de acalmar a enorme agitação e intranquilidade que reina entre algumas forças da oposição e entre algumas forças sociais: dar uma grande vitória ao PS», no próximo domingo. Perante uma plateia que enchia completamente o Cine-Teatro do Gavião, o líder socialista explicou que «é importante a vitória do PS», no dia 12, «porque só um nosso triunfo poderá proporcionar a garantia de maior estabilidade política no País». A oposição, sublinhou logo a seguir, precisa de «levar um cartão amarelo». Até hoje, quase permanentemente, os partidos da oposição juntam-se e fazem ataques sucessivos ao Executivo, apenas tendo como fim a procura de um «clima de instabilidade». Em suma, nestas eleições autárquicas, é essencial um sinal do povo português para «castigar aqueles que fazem da agitação uma forma de estar na política».
Além de pedir a confiança dos portugueses, o secretário-geral do PS evidenciou os progressos registados em Portugal, durante os dois anos de Governo socialista. Até ao final de 1995, o chefe de Governo recordou que o País crescia a um ritmo inferior ao da média comunitária. Esta situação, no entanto, inverteu-se com a acção do actual Executivo. Tanto em 1996, como em 1997, Portugal cresceu mais depressa do que os países da Europa do Norte e aproximou-se de forma significativa da média dos «Quinze» Estados-membros da União Europeia. Também ao nível do desemprego, segundo António Guterres, esta tendência positiva foi registada. Antes, no tempo do PSD, o desemprego crescia, apresentando actualmente uma trajectória descendente. Portugal, de resto, é um dos países da União Europeia que menor taxa de desemprego possui.
Depois de referência ao crescimento económico e ao desemprego, António Guterres sublinhou o elevado esforço deste Governo para cumprir as suas promessas na área do combate à criminalidade. Em comparação com os anos em que o PSD esteve à frente do Governo, agora, com os socialistas, há muito mais polícias na rua em acções de vigilância. Por isso, todos os indicadores referentes a roubos, furtos e outros fenómenos de delinquência apresentam uma tendência para o decréscimo. O tema da segurança dos cidadãos, porém, levaria ainda António Guterres a responder a acusações demagógicas proferidas recententemente pelo líder do PP. O secretário-geral do PS afirmou-se chocado com as declarações de Manuel Monteiro sobre a forma como o tráfico de droga é combatido em Portugal. Para se dizerem palavras tão graves, de acordo com o líder socialista, «é preciso não ter a mínima consciência do que o Governo está a fazer para combater o tráfico de estupefacientes».
Tal como o secretário-geral do partido, também António José Seguro elogiou a acção dos autarcas socialistas nos últimos quatro anos, provando que, para os membros do PS, «o que importa é servir os interesses da população, seja nas câmaras, nas freguesias ou no Governo». Em contraponto ao respeito manifestados pelos socialistas em relação ao Poder Local, instituições que passaram a dispor de mais meios a partir do momento em que a equipa de Guterres chegou ao Governo, o dirigente nacional e coordenador das autárquicas do PS lembrou a tradição «centralista» dos sucessivos executivos «laranja». Executivos esses que «nunca respeitaram a Lei das Finanças Locais» e sempre encararam as eleições autárquicas como actos eleitorais de «segunda».
Entretanto, de acordo com várias sondagens publicadas em diferentes órgãos de Comunicação Social, no final da penúltima semana de campanha eleitoral, os socialistas estão a um passo de retirar ao PSD o poder autárquico em importantes cidades como Castelo Branco, Portalegre, Ponta Delgada, Aveiro, Leiria e Vila Real. Segundo o semanário «Expresso», a aposta do PSD em Luís Filipe Menezes também não será bem sucedida, sendo provável que o actual presidente da Câmara, Heitor Carvalheiras, volte a conquistar a autarquia. Se os resultados destes estudos de opinião se confirmarem, o PS ficará com um impressionante domínio político nos principais centros urbanos do País.
Em Leiria, António José Seguro denunciou a incompetência da candidata «laranja» à Câmara daquela cidade, precisamente em contraste com as provas já dadas por Raul de Castro, ex-presidente da Câmara da Batalha e que agora se candidata à presidência do município de Leiria pelos socialistas. Num duro e longo ataque ao líder laranja, Marcelo Rebelo de Sousa, o coordenador da Comissão Permanente do PS denunciou a intranquilidade e a insegurança do PSD nesta recta final da campanha eleitoral e deixou bem claro que os autarcas do partido não necessitam da orientação das figuras nacionais do Governo pela simples razão de que «são melhores» do que os do maior partido da oposição. «O PSD está nitidamente com medo de perder as eleições», afirmou António José Seguro.
Também antes de partir para o Conselho Europeu, que hoje começa, no Luxemburgo, António Guterres pronunciou-se sobre alguns incidentes ocorridos entre militantes de diversos partidos. Falando na qualidade de primeiro-ministro, terça-feira, lançou um sincero apelo a todas as forças políticas no sentido de que promovam uma campanha eleitoral «totalmente tranquila e com sentido cívico, como aliás é timbre deste País».
Sem comentar as cenas de pancadaria que se registaram na Figueira da
Foz e em Ponte do Sol (Madeira), o chefe do Governo lembrou que importa
que as iniciativas de campanha de cada força partidária sejam
respeitadas pelas restantes. No final da audiência com o Presidente
da República, no Palácio de Belém, António
Guterres lançou ainda um apelo de serenidade a todos os dirigentes
partidários.
Pina Moura elimina as dúvidas
O Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1 vai mesmo realizar-se no Estoril, em Outubro de 1998, tal como se encontrava já previsto pelo calendário da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Desfazendo todas as dúvidas em relação ao regresso do Grande Prémio, o ministro da Economia apresentou anteontem, em conferência de Imprensa, uma solução com calendários bem definidos e com um método igualmente muito preciso. De acordo com a explicação deste membro do Governo, as obras de remodelação da pista do Estoril estarão concluídas já em Março próximo. Como o próprio Pina Moura fez questão de recordar, esta era, aliás, a única condição colocada pela FIA às autoridades portuguesas e que foi transmitida em carta dirigida ao secretário de Estado do Turismo, datada de 5 de Dezembro passado. Pina Moura adiantou, também, que as obras serão da responsabilidade da Sociedade de Gestão do Autódromo do Estoril, que recorrerá a verbas do fundo de turismo. Interrogado sobre os custos derivados dos trabalhos de remodelação na pista do Autódromo do Estoril, o ministro da Economia recusou-se para já a quantificá-las. Aos jornalistas, explicou, então, que o caderno de encargos será brevemente apresentado pelo secretário de Estado do Turismo, Vítor Neto. Por sua vez, o método de contratação da empresa responsável pelos trabalhos de modernização far-se-á por ajuste directo.
Além das questões técnicas, o ministro da Economia
mostrou-se convencido de que a realização do Grande Prémio
será importante do ponto de vista turístico para o país,
compensando largamente os investimentos previstos. Finalmente, Pina
Moura salientou que a solução anteontem apresentada não
teve como objectivo tornear o visto negativo do Tribunal de Contas, mas,
somente, garantir o regresso da Fórmula 1 a Portugal.
Medos no PSD
«Falta de coerência.» É assim como o camarada António José Seguro, coordenador das autárquicas do Partido Socialista, define a abstenção do líder laranja face às demagogias do presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim.
Na opinião de Seguro, Marcelo Rebelo de Sousa tem «medo de desautorizar publicamente o seu vice-presidente, mas não deixou de adiantar uma possível resposta ao por quê de tal situação. É que, segundo referiu, «isso é compreensível, pois (Marcelo) vive momentos difíceis dentro do PSD».
Apesar de não ter obtido resposta à sua exigência de desautorização pública de Jardim, o coordenador das eleições autárquicas do PS não se revelou inquieto, embora não tenha hesitado, perante este facto, em afirmar que «ficou claro que ele (Marcelo Rebelo de Sousa) montou uma farsa».
Para António José Seguro, que se encontrava em campanha em Sarnadas de Ródão, o líder laranja «é perito em criar factos políticos. Já o fez antes de estar na política e está a fazê-lo agora, novamente».
Seguro considerou incoerente a atitude de Rebelo de Sousa que «esteve dois dias fora da campanha eleitoral, escondeu-se, desapareceu e não teve coragem para vir dizer publicamente se desautoriza ou não» Alberto João Jardim».
O que está em causa com esta falta de actuação política na liderança do PSD não é, segundo pensa o coordenador socialista das autárquicas, a ausência de vontade de levar a público a requerida desautorização do presidente regional, mas sim o medo do líder de todos os laranjas face ao líder dos laranjas madeirenses.
Sobre o pronunciamento do candidato socialista à Câmara Municipal da Nazaré, Luís Monterroso, António José Seguro não negou a sua estranheza pelo acontecimento, sobretudo numa altura em que faltavam nove dias para o fim da campanha eleitoral e a 11 dias das eleições.
«Num momento em que se fala muito em ética e em regras
de conduta, considero de facto muito estranho que as condições
em que todos disputamos este acto eleitoral sejam dificultadas por alguns,
o que acontece agora com Luís Monterroso», disse Seguro.