PSD à beira de mais uma derrota
Pela terceira vez consecutiva, o PS prepara-se para ganhar as eleições autárquicas. De acordo com todos os estudos de opinião, no dia 14 de Dezembro, os socialistas serão os mais votados a nível nacional, triunfarão nos maiores concelhos do País e deverão conquistar o maior número de câmaras. Ao repetir as vitórias de 1989 e de 1993, o PS deixa também o PSD numa situação extremamente difícil. Na última semana, prevendo nova humilhante derrota, o maior partido da Oposição evidenciou claros sinais de desorientação política. E, numa atitude de desespero, não hesitou em lançar uma série de acusações falsas. Os principais protagonistas dessas queixas sem fundamento foram Marcelo e Cavaco. António Guterres, porém, com serenidade, apenas comentou que Cavaco revela «azedume» sempre que se pronuncia em relação ao actual Governo, ou sobre o actual primeiro-ministro. António Costa lembrou como é curta a memória do PSD.
Tal como em 1989 e em 1993, o PS vai voltar a ganhar as eleições autárquicas, esperando-se mesmo que aumente ainda mais as suas maiorias em várias capitais de distrito e em dezenas de outros municípios do País. O resultado do dia 14 de Dezembro permitirá então tirar duas conclusões fundamentais. Numa lógica nacional, os portugueses vão provar que, na realidade, o Executivo socialista tem governado bem e que os partidos da Oposição não representam qualquer alternativa séria à equipa liderada por António Guterres. A derrota do PSD, dentro de pouco mais duas semanas, poderá mesmo lançar este partido em mais uma profunda crise interna.
Depois, o terceiro triunfo consecutivo do PS em eleições para o Poder Local mostrará claramente que os seus autarcas, de Norte a Sul do país, têm realizado um trabalho extremamente válido em benefício das populações. A 14 de Dezembro ficará bem claro que o PS é o partido que melhores garantias oferece ao povo português, tanto pela sua acção a nível nacional, como a nível local.
Antevendo mais uma derrota num acto eleitoral, o PSD, sobretudo na última semana, tentou lançar uma série de calúnias contra a actividade exercida pelos membros do Governo, acusando-os de uma hipotética ausência de imparcialidade no exercício das suas funções. Por outro lado, como última solução, os dirigentes «laranja» tiveram de voltar a recorrer a Cavaco Silva, envolvendo-o e reponsabilizando-o directamente no resultado das eleições autárquicas. Os efeitos desta estratégia, no entanto, são mais do que duvidosos.
Em Sintra, onde apareceu para dar apoio ao candidato local «laranja», José António Barreiros (que deverá ficar em terceiro lugar e a longa distância de Edite Estrela), Cavaco Silva voltou a atacar António Guterres. A resposta do secretário-geral do PS, porém, foi objectiva, serena e demolidora. António Guterres afirmou que, sempre que Cavaco se pronuncia sobre este Governo socialista, ou sobre a sua pessoa, revela um nítido azedume. O líder dos socialistas acrescentou, também, que o ex-chefe do Governo «laranja» ainda parece não se ter habituado à ideia de ter deixado de exercer o poder na sequência das eleições legislativas em Outubro de 1995 e, finalmente, da sua derrota frente a Jorge Sampaio nas eleições para a Presidência da República.
No mesmo sentido se pronunciou igualmente Jorge Coelho. Na sua qualidade de dirigente socialista, durante uma festa da candidatura do PS em Vila Franca de Xira, Jorge Coelho congratulou-se com a intervenção directa de Cavaco Silva nesta campanha eleitoral. Depois, comentando os apoios concedidos por Cavaco aos candidatos do PSD de Vila Franca de Xira e de Sintra, Jorge Coelho garantiu que, no dia 14 de Dezembro, se avaliará a real popularidade do ex-primeiro-ministro, sobretudo, tendo como base os concelhos por onde ele tem andado a fazer campanha nestas últimas semanas.
Mas Jorge Coelho optou também por responder a Marcelo Rebelo de Sousa. Em várias ocasiões, o líder do PSD mostrara-se preocupado com a participação deste dirigente socialista em actos de campanha eleitoral, tentando inibi-lo com a acusação de que exerce funções no Governo como ministro adjunto e da Administração Interna. Reagindo a estas queixas, Jorge Coelho, usando a ironia, disse sentir-se vaidoso por ser atacado todos os dias pelo PSD. «Convinha-lhes que deixasse de fazer campanha, mas têm de ter paciência, ninguém, nem o PSD me calará. Continuo a ser cidadão com direitos», frisou. Jorge Coelho considerou, ainda, que Marcelo Rebelo de Sousa, por motivos óbvios, parece ter desistido de ser primeiro-ministro, tendo passado a ser candidato a ministro da Administração Interna.
Perante as acusações do PSD, segundo as quais, alegadamente, os ministros socialistas estão a tentar influenciar o resultados das eleições autárquicas, o Secretariado Nacional do PS decidiu responder formalmente ao PSD, anteontem, ao fim da tarde.
No final da reunião, em declarações aos jornalistas, António Costa afirmou que essas acusações do maior partido da Oposição revelam bem a sua total desorientação. O dirigente do PS e ministro dos Assuntos Parlamentares, além de considerar essas queixas dos «laranja» como «um mero expediente» político, foi claro em frisar que a desorientação do PSD é tão evidente que, com aquelas acusações, «o ainda líder do PSD acabou por fazer a crítica mais contundente dos últimos tempos a Cavaco Silva». Para o efeito, António Costa resolveu puxar pela memória aos responsáveis «laranja», lembrando-lhes, designadamente, a forma como actuaram nas eleições autárquicas de 1993, quando ainda se encontravam no poder. Antes desse acto eleitoral, participaram activamente na campanha eleitoral do PSD o então ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, o ex-ministro da Defesa, Fernando Nogueira, o ex-ministro adjunto, Marques Mendes, ex-titular da pasta das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, para além do próprio Cavaco Silva.
«Depois de ouvirem o ainda presidente do PSD a falar desta forma, o que pensarão Cavaco Silva e Ferreira do Amaral? O que pensará o ex-ministro Adjunto de Cavaco daquilo que hoje diz o líder parlamentar do PSD?», questionou, referindo-se às flagrantes contradições de Marques Mendes.
Também na terça-feira, no Funchal, o coordenador nacional
do partido para as eleições autárquicas, António
José Seguro, rejeitou com veemência as críticas
do PSD. Tal como António Costa, António José
Seguro afirmou que o PSD, durante os dez anos em que esteve no Governo,
«usou e abusou do aparelho de Estado para fazer campanha».
Em declarações à Lusa, António José
Seguro lamentou, igualmente, que Marcelo Rebelo de Sousa, «por
experiência política e profissional, não deveria dizer
coisas dessas. Aquilo que está a acontecer é que cidadãos,
que são dirigentes político-partidários, no exercício
dessas funções partidárias, fazem naturalmente campanha»,
explicou. Por outro lado, segundo António José Seguro,
Marcelo Rebelo de Sousa, porque é profissional, «conhece
bem a Constituição Portuguesa», onde se consagra claramente
o princípio de que «ninguém pode ver restringidos os
seus direitos cívicos». Ora, Marcelo «quer restringir
e condicionar a participação cívica e política
de cidadãos portugueses. Isso é intolerável num país
democrático», concluiu António José Seguro.
Ferro Rodrigues anuncia
O ministro da Solidariedade e do Trabalho anunciou ontem, durante uma conferência de Imprensa, que assinalou o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o aumento dos abonos a conceder pelo Estado a crianças e jovens com deficiências. Os aumentos, em média, irão atingir os 25 por cento.
A medida anunciada por Ferro Rodrigues vai abranger um universo de 40 mil jovens e crianças e entrará em vigor já no próximo ano. Uma vez mais, tendo em vista promover uma política de justiça social, o Governo optou por conceder aumentos diferenciados para três escalões etários distintos de crianças e jovens. Até aos 13 anos, as famílias destas crianças terão direito a uma verba de 8100 escudos. Aqui, procede-se à maior subida em termos de subsídios. Depois, dos 14 aos 17 anos, os subsídios irão passar de 9530 escudos para 11800 escudos. Finalmente, atingida a maioridade, até 23 anos, o abono sobe de 12700 para 15800 escudos.
Comentando as medidas assumidas pelo Governo, Ferro Rodrigues reconheceu que os valores dos abonos, infelizmente, são ainda relativamente baixos. Lembrou, no entanto, que a taxa de inflação será em 1998 de apenas dois por cento. Ou seja, os aumentos dos abonos anularão claramente o índice relativo ao custo de vida e vão permitir ganhos reais no que respeita a condições de vida.
Em termos de curto prazo, segundo o ministro da Solidariedade e do Trabalho,
a precupação do Executivo passará a dirigir-se aos
cidadãos com deficiências, mas que entretanto deixam de ser
jovens, perdendo assim parte substancial dos apoios estatais. Ferro
Rodrigues garantiu mesmo que os apoios a conceder a esta faixa etária
será a preocupação dominante dentro do seu Ministério
nos próximos tempos. No âmbito do Pacto Social, Ferro Rodrigues
garantiu mais apoios para estes cidadãos.