PARLAMENTO EUROPEU




COESÃO: EVITAR UM «ERRO LAMENTÁVEL»

«Reduzir os apoios aos países de coesão seria um erro lamentável. Portugal não pode ser penalizado pelos bons resultados obtidos no cumprimento dos critérios de elegibilidade para o euro. Penalizar Portugal seria grave, injusto e paradoxal», disse o eurodeputado socialista Carlos Lage no plenário de Estrasburgo, durante o debate do primeiro relatório da Comissão sobre a Coesão Económica e Social.

O deputado socialista considerou que «o Fundo de Coesão tem de ser conservado, dada a sua eficiência e utilidade», e que «não podem os países e regiões actuais da coesão pagar a factura do alargamento».

Na sua opinião, «deve recusar-se» a proposta de um tecto de 1,27 para as perspectivas financeiras. «É um espartilho perigoso, pois se antes do Pacto Delors II foi um estímulo, agora é um bloqueio», disse.

Na sua intervenção, considerou a Coesão vital para uma União cada vez mais integrada, e que «a experiência dos Estados federais ou protofederais mostra bem que os orçamentos federais têm, entre outros aspectos, uma função de redistribuição, de equidade e de justiça».

Quanto ao relatório em discussão (Izquierdo Collado), considerou-o «um excelente exame crítico que, fazendo a ponte com a Agenda 2000, antecipa bem uma reflexão essencial para o futuro da União».




Deputados socialistas portugueses

INDÚSTRIA DO CALÇADO E
SITUAÇÃO DA MULHER EM DEBATE

A situação e as perspectivas da indústria do calçado - indústria com grande capacidade de criação de emprego - num momento de grandes mutações no contexto europeu, perante a introdução do euro e no comércio internacional, devido à influência determinante da Organização Mundial do Comércio (OMC) - foram analisadas numa iniciativa europeia, sob a forma de jantar-debate, que decorreu em Felgueiras, num restaurante local, no passado dia 27 de Novembro.

No quadro da mesma iniciativa, realizou-se também um debate-convívio sobre «a situação e os direitos da mulher em Portugal e na Europa», iniciativa especialmente destinada às mulheres.

O debate, nas suas duas partes, foi promovido pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista Europeu, por iniciativa do eurodeputado Barros Moura, e teve por objectivo contribuir para o esclarecimento dos cidadãos sobre as questões europeias.

A primeira parte, sobre a situação da mulher, foi orientada pela eurodeputada Helena Torres Marques, que é relatora, no Parlamento Europeu, sobre o Tratado de Amesterdão e a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.

Participaram no debate sobre a indústria do calçado, além dos eurodeputados já referidos, o deputado europeu Carlos Lage, autor de um relatório sobre «as intervenções estruturais comunitárias e o emprego», e Francesco Baldarelli, originário de uma região de Itália que se especializou em calçado de alta qualidade.




INTÉMPÉRIES: APOLINÁRIO DEFENDE AJUDA COMUNITÁRIA

O eurodeputado socialista José Apolinário, numa intervenção em Estrasburgo no dia 20, aquando da discussão das catástrofes naturais, defendeu que «a grave e dramática situação provocada pelas intempéries nos Açores, no Alentejo, no Algarve, em Lisboa, Setúbal e Vale do Tejo justifica a utilização de fundos comunitários».

«Falta agora saber», afirmou, «se esses fundos serão parte das verbas já anteriormente atribuídas a Portugal - através de uma reprogramação do Quadro Comunitário de Apoio (QCA) - ou novas verbas, "dinheiro fresco" --, quer por uma ajuda especial de emergência, quer pelo reforço orçamental e modificação de objectivos da iniciativa comunitária INTERREG II C, como se pede na resolução do Parlamento Europeu».

Para José Apolinário, «uma situação difícil, com enormes perdas e grande emoção, com uma forte solidariedade de toda a sociedade, uma resposta empenhada de bombeiros, autarcas e serviços municipais, autoridades policiais e militares, a pronta acção dos Governos da República e da Região, justificam que a Comissão não se limite a uma visão restrita e académica dos regulamentos comunitários».

«As pessoas são a razão de ser do projecto comunitário. A Comissão não o pode esquecer», disse.

Neste contexto, considerou que «a uma situação de catástrofe não se pode responder com rigidez técnica, com PO´s, QCA´s, deflactor, orientações burocráticas, siglas do jargão comunitário».

«Bom senso e boa vontade, precisa-se!», sublinhou.




TRATADO DE AMESTERDÃO

Numa intervenção em Estrasburgo sobre o Tratado de Amesterdão, o vice-presidente do Parlamento Europeu, Luís Marinho, afirmou: «Somos daqueles que lhe auguram um bom futuro, que por isso, votarão favoravelmente o parecer do Parlamento Europeu que lhe desejam uma ratificação rápida que permita um quadro institucional estabilizado, com regras claras e duradouras para fazer face a outros desafios com os quais a Europa dos Quinze se confronta».

Segundo sublinhou, «tem de haver sempre um equilíbrio entre estabilidade e reforma. Em cada momento deve avaliar-se de que lado está a prioridade em função do interesse histórico da Europa».




DIREITOS FUNDAMENTAIS

O eurodeputado socialista Barros Moura, numa intervenção no Parlamento Europeu sobre o Tratado de Amesterdão, considerou que ele contém «avanços significativos nas questões relativas aos direitos fundamentais, à não discriminação, à livre circulação de pessoas, à cidadania, às garantias desses direitos através do controlo jurisdicional e do próprio direito de petição».

«A nossa principal preocupação», adiantou, «é garantir a efectividade prática destes direitos e, por isso, tememos que a insuficiência das reformas institucionais de Amesterdão prolongue a ineficácia dos processos de decisão tendentes a dar aplicação às normas do Tratado».

A nossa atitude é, assim, sublinhou, «a de fazer uma leitura objectiva do Tratado, ou seja, nem mistificando os seus avanços, nem hipercriticando o conjunto devido à evidente insuficiência das mudanças institucionais na perspectiva do alargamento».
 
 

IGUALDADE ENTRE MULHERES E HOMENS

Numa intervenção no dia 19, na sessão plenária do Parlamento Europeu, a eurodeputada socialista Helena Torres Marques disse que «a Comissão dos Direitos da Mulher está convicta que o projecto de Tratado de Amesterdão representa um passo político em frente, já que codifica o princípio de não discriminação em função do sexo enquanto princípio fundamental do direito comunitário e enuncia a igualdade entre os sexos como um dos objectivos do Tratado da União Europeia».

«Congratula-se em especial com a promoção da igualdade entre mulheres e homens entre as missões da Comunidade e com o reconhecimento da importância do "mainstreaming" e de políticas activas de igualdade de oportunidades em todas as acções da Comunidade».



EMPREGO NAS REGIÕES ULTRAPERIFÉRICAS

A prioridade aos projectos das regiões periféricas e ultraperiféricas que tenham por objectivo criar empregos duradouros é fundamental para impulsionar o desenvolvimento das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, considerou recentemente no plenário de Estrasburgo o eurodeputado socialista Quinídio Correia, numa declaração ao relatório do espanhol Hernandez Molar, sobre o emprego na Europa em 1997.