EDITORIAL




A FALSA MORALIDADE DO PSD

A campanha antiministro Jorge Coelho, que o PSD lançou esta semana, nomeadamente quanto à sua participação na campanha eleitoral autárquica, merece a maior gargalhada de sempre.

A atitude do PSD é, afinal, a de quem nunca fez política em Portugal e portanto pelas atitudes que agora assume, nunca pecou em tal matéria. Os actuais dirigentes do PSD, ao virem colocar em causa a participação de membros do Governo socialista na actual campanha autárquica, parece terem-se esquecido dos mais de dez anos de governação laranja em que os ministros e secretários de Estado de então fizeram campanha, participaram em comícios, distribuíram cheques e fizeram promessas.

Esquecem-se que a principal figura mítica do PPD/PSD, o então primeiro-ministro, Sá Carneiro, morreu, faz hoje anos, quando viajava de avião para participar num comício do seu candidato presidencial.

A atitude do PSD é reveladora de uma enorme hipocrisia política. Trata-se de mais uma manobra estratégica do professor Marcelo Rebelo de Sousa para tentar garantir a sua manutenção no pós-14 de Dezembro. O líder do PSD há muito que percebeu que vai sofrer uma dura derrota eleitoral e, por isso, tenta agarrar-se a uma qualquer bóia de salvação que lhe passe no horizonte.

Esta manobra de distracção do PSD revela, mais uma vez, que a sua única preocupação é a desestabilização política/económica do País e não o debate de qualquer programa eleitoral.

Aliás, ainda não se viu qualquer proposta concreta deste PSD para a resolução dos problemas das autarquias. Esta atitude vem na senda da política centralista desenvolvida pelo PSD durante a longa noite cavaquista, que levou à criação de enormes dificuldades à gestão e ao desenvolvimento dos municípios, razão também, pela qual, os dirigentes do PSD, hoje, se manifestam contra a criação das regiões administrativas.

Os ministros não perdem direitos só por serem ministros. Têm toda a legitimidade dentro dos limites do bom senso, que aliás o Governo socialista tem vindo a praticar, para poderem participar em qualquer acto político/partidário em qualquer circunstância.

A REDACÇÃO