UNESCO
O ministro da Educação, Marçal Grilo, defendeu, no dia 27, em Paris, que a inovação e o progresso científico e tecnológico devem ser colocados ao serviço da promoção da qualidade educativa, da cultura da paz, da tolerância, do respeito pela diversidade, do reforço dos valores humanos cívicos, da defesa do património histórico e cultural e do multilinguismo.
Discursando por ocasião da 29ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Marçal Grilo sublinhou o carácter essencial das redes de Internet nas escolas, explicando que «a inovação e o desenvolvimento exigem, ainda, projectos transdisciplinares e uma cooperação estreita entre educação, ciência e cultura, que tenha reflexo no incentivo ao ensino experimental e no aperfeiçoamento e adequação dos programas, conteúdos e materiais educativos às exigências do tempo presente».
Segundo o ministro da Educação português, «o desenvolvimento social e cultural ganhou nova importância», estando em causa a mobilidade das pessoas, a sua qualificação e o respeito universal pelos direitos humanos, a partir das diferenças culturais e civilizacionais.
Neste sentido, Marçal Grilo salientou a importância da missão ética da UNESCO, no seu papel de consciência crítica, no tempo presente, orientada para o desenvolvimento da humanidade e para o lançamento das bases de um mundo novo, onde o conhecimento seja posto ao serviço da justiça, da tolerância, do respeito mútuo e da paz.
«Apesar de tudo o que já se alcançou, há ainda um longo caminho a percorrer. A disparidade de oportunidades persiste, as mulheres e os jovens continuam a ver negado o direito à educação em muitas regiões, enquanto a guerra e a fome espalham a provação e o analfabetismo», ressalvou o titular da pasta da Educação.
Na opinião de Marçal Grilo, considerar investimentos na educação significa estar perante compromissos que devem ser assumidos em comum, com maior cooperação e um envolvimento claro das organizações internacionais, numa «lógica de racionalização de meios e de articulação de esforços».
«E se falamos de educação para todos, continuou, urge realçar a importância crucial de uma educação básica de qualidade, que seja assegurada em igualdade de oportunidades, com justiça e equidade, e como ponto de partida para uma educação permanente que permita resposta adequada às necessidades de formação ao longo da vida», disse Marçal Grilo, acrescentando que, em Portugal, tem sido este um dos aspectos especialmente valorizados, considerando-se a educação e a formação como «primeiras e insubstituíveis prioridades da acção governativa».
Foi assim que o responsável pela educação dos portugueses sublinhou a função emancipadora da formação pelo reforço dos laços de solidariedade e de democracia que garantem a coesão social.
Recordando que 1998 será o Ano Internacional dos Oceanos, coincidindo este com o quinto aniversário da viagem de Vasco da Gama, Marçal Grilo considerou o futuro próximo como «uma oportunidade ímpar para a reflexão, para o estudo, para a apresentação de propostas concretas e para a sensibilização da opinião pública sobre as riquezas dos mares e sobre a sua protecção e salvaguarda a bem da humanidade».
Da mesma forma, o ministro lembrou que a Expo'98 se realizará sob a invocação deste tema e procurará contribuir activamente para a realização dos objectivos que a UNESCO tem defendido e que Organização das Nações Unidas proclamou.
Marçal Grilo saudou, ainda, a convergência de esforços dos países lusófonos, agora reunidos na Comunidade de Povos de Língua Portuguesa (CPLP) e o facto de, entre os objectivos desta nova instituição, constarem preocupações comuns com a UNESCO.
Também a participação do território de Macau na UNESCO foi mencionado como ponto positivo no discurso do titular da pasta da Educação, uma alocução que não deixou de focar o problema do povo maubere.
«Reafirmo ainda que continuamos a defesa intransigente e pacífica do reconhecimento do direito à autodeterminação e independência do povo de Timor-Leste, de acordo com o estipulado na Carta das Nações Unidas», declarou, convicto, Marçal Grilo.
Já no final da sua intervenção, o ministro resumiu dizendo que «a sociedade de informação está a constituir-se a um ritmo intenso que nos exige uma aguda consciência da importância das inovações e a UNESCO não pode deixar de corresponder a este desafio e a esta aposta».
Trata-se, segundo Marçal Grilo, de preparar o caminho para as novas gerações desempenharem tarefas em prol da paz, da justiça e do desenvolvimento.
«É a cultura da paz que está em causa. Há um longo trabalho perante nós de cooperação e de solidariedade. A justiça tem de ser a outra face do desenvolvimento num mundo que é, cada vez mais, um só, mas onde têm de caber as diferenças e as complementaridades», terminou.
(MJR)