SOCIEDADE & PAÍS 



Exposição comemorativa

50 ANOS DO MUD-JUVENIL
A GERAÇÃO GENEROSA E FANTÁSTICA

«A democracia precisa de ser aprofundada. O nosso sonho de criar um mundo mais fraterno está agora mais longe do que nunca, nesta sociedade neoliberal», afirmou o ex-Presidente da República Mário Soares no dia 8, na sessão inaugural da exposição «Searas do Porvir», no Palácio das Galveias, em Lisboa, que assinala os 50 anos do MUD-Juvenil.

O Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD-J) foi um movimento criado a 28 de Julho de 1946, por jovens estudantes e trabalhadores de todo o País e que resistiu em circunstâncias particularmente adversas, num contexto marcado por forte repressão policial, à ditadura fascista, que acabou por ilegalizá-lo em 1956.

Com o salão do Palácio Galveias praticamente cheio, Mário Soares sublinhou a diferença entre a componente sénior e júnior do MUD: «O MUD não era comunista, tinha sido fundado por advogados, socialistas e republicanos, mas o MUD-Juvenil, não haja dúvidas, nasceu dos jovens comunistas.»

Dirigindo-se aos velhos companheiros de luta presentes na sala, Mário Soares afirmou: «Passa uma corrente entre nós, os que lutámos contra um regime odioso».

Sublinhando que o sonho que o moveu a ele e aos seus companheiros do MUD de construção de uma sociedade mais justa e fraterna está cada vez mais longe, reafirmou a sua resistência ao «pensamento único» e às teses neoliberais.

Para além de Mário Soares, usaram também da palavra João Sá da Costa e Octávio Pato, dois antigos dirigentes do MUD-Juvenil.

(JCCB)




Comunidade de Países de Língua Portuguesa

IV SEMINÁRIO DE LITERATURAS

Vai decorrer de 22 a 24 deste mês na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, Baía, Brasil o IV Seminário de Literaturas de Língua Portuguesa.

A iniciativa, promovida pelo Centro de Estudos Portugueses Hélio Simões, instituição ligada ao Departamento de Artes e Letras daquela universidade brasileira, contará com a presença de vários académicos e escritores da CPLP - Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe

Filipe Zau, assessor para os Assuntos Culturais, representará Marcolino Moco, secretário-executivo da CPLP e presidente de Honra do IV Seminário de Literaturas de Língua Portuguesa.

Entre os escritores que estarão presentes destaca-se Rui Zink, Ruy Duarte de Carvalho, de Angola, Suleiman Cassamo, de Moçambique, e Hélio Pólvora, do Brasil.

Paralelamente ao seminário, estão previstas várias manifestações culturais, como exposições, sessões de cinema, lançamentos de livros de escritores brasileiros residentes na Baía e ainda um bloco de mini-cursos de temática diversificada da CPLP.




Feira do Livro de Frankfurt

PORTUGAL COMO PAÍS TEMA

O Presidente da República, Jorge Sampaio, esteve até ontem na Alemanha, onde participou, na terça-feira, na inauguração oficial da Feira do Livro de Frankfurt que decorre, de 15 a 20 de Outubro, e que tem, este ano, Portugal como país tema.

O Pavilhão de Portugal na 49ª Feira do Livro de Frankfurt, cujo projecto é da responsabilidade da arquitecta Luísa Pacheco Marques, situa-se na «Agora», expressão grega que designa «praça», em pleno coração da feira, ocupando uma área total de 750 metros quadrados, por onde passarão cerca de 300 mil visitantes.

Visto do exterior, o pavilhão assemelha-se a uma gigantesca caixa negra de um avião, o que dá uma clara ideia de movimento que se pretende associada à trajectória cultural e histórica de Portugal através dos séculos. Trata-se de uma obra que, segundo o comissário do Pavilhão, António de Campos Rosado, dignifica a participação de Portugal.

O piso térreo, dominado por um café, símbolo das grandes tertúlias literárias portuguesas, está ladeado por uma exposição de livros portugueses em línguas estrangeiras. Neste espaço de convívio, será exibida uma exposição de retratos de escritores portugueses, da autoria de Luísa Ferreira e servirá igualmente para colóquios e debates.

No primeiro piso o pavilhão alberga uma exposição em que Portugal é sugerido ao visitante através dos seus livros mais significativos - «Os Lusíadas», de Luís de Camões, «Peregrinação», de Fernão Mendes Pinto, e o «Livro do Desassossego», de Fernando Pessoa -, em grandes painéis coloridos. Ainda, no primeiro piso, a grande atracção é o espaço reservado à Expo/98 - o Oceanário Virtual -, que numa projecção em sistema 3-D, permite ao visitante navegar interactivamente pelos oceanos.

Para o chefe de Estado, a escolha de Portugal como tema central desta Feira revela-se de uma enorme importância, pois «permite-nos mostrar a vitalidade da nossa literatura e da nossa cultura num espaço tão importante como a RFA». O Presidente da República aproveitou ainda para lembrar a importância do conjunto de iniciativas paralelas à literatura portuguesa que se irão realizar e que no seu conjunto permitirão «mostrar como a cultura portuguesa evoluiu nos últimos anos, em liberdade e em democracia».

Durante a sua estada, Jorge Sampaio participou numa conferência do professor Ferrer Correia, presidente da Fundação Gulbenkian, sobre as relações científicas luso-alemãs, na Universidade de Goethe de Frankfurt, visitou as exposições «Arquitectura Portuguesa no século XX», «As Letras Portuguesas no Mundo», «O Livro de Arte» e num jantar oferecido pela Associação de Editores e Livreiros Alemães e pela Câmara de Frankfurt. O ponto alto desta visita foi a cerimónia de inauguração da Feira do Livro de Frankfurt, que contou com a presença do Presidente alemão, Roman Herzog, e do presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer.

O chefe de Estado teve, ainda, uma reunião com o ministro presidente do estado de Hessen e com o seu homólogo alemão, que o acompanhou na inauguração do pavilhão português, na passada terça-feira, às 19h (18h de Lisboa).

O ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, que esteve presente na inauguração oficial da 49ª Feira do Livro, na qualidade de anfitrião do país-tema, acompanhará o primeiro-ministro, António Guterres, que amanhã se desloca a Frankfurt para visitar a Feira.

Portugal ocupa, na Feira de Frankfurt, dois espaços específicos: o pavilhão de português e uma área de 700 metros quadrados, onde estão instalados os stands dos editores portugueses. A delegação portuguesa conta, este ano, com mais de uma centena de participantes: 65 editores, 20 instituições com intervenção no mercado do livro, 15 instituições com departamentos editoriais e 5 editoras multimédia. Durante a Feira está previsto o lançamento de edições de diversos livros portugueses, quer na nossa língua quer em tradução.

(JMV)




«Workshop» em Miranda do Corvo

GESTÃO DE ENERGIA NOS MUNICÍPIOS

Na Convenção Tarifária para 1998, que se irá realizar até ao final deste ano, será dado um primeiro sinal de diferenciação tarifária relativamente à energia oriunda de instalações de base renovável, a chamada tarifa verde, afirmou José Penedos, secretário de Estado da Indústria e Energia, no encerramento do workshop «Gestão de Energia nos Municípios».

O workshop «Gestão de Energia nos Municípios» realizou-se nos dias 9 e 10, no Centro da Biomassa para a Energia, em Miranda do Corvo. Esta iniciativa, organizada pelo PAM - Plano de Acção para Aproveitamento de Recursos Endógenos e Gestão do Consumo de Energia nos Municípios - que reuniu dezenas de técnicos autárquicos, nacionais e estrangeiros, ligados a esta área, foi o culminar dos cursos de Gestão de Energia nos Municípios que o PAM recentemente organizou. O presente workshop teve por objectivo divulgar os trabalhos realizados durante o curso, nomeadamente aqueles que possam servir de referência em futuras actuações no sector energético.

José Penedos, que encerrou o workshop, referiu-se à política que o Governo tem desenvolvido nesta área, sobretudo no sentido de apoiar as iniciativas autárquicas e empresariais de produção de energias alternativas. Reconhecendo que Portugal tem, ainda, uma história pouco desenvolvida de valorização das renováveis, mas que começa a ser história, José Penedos realça a aposta política deste Governo no sector, pois é urgente apanhar o passo da União Europeia.

O encontro está marcado para 2010, altura em que se prevê que a participação das energias renováveis no valor cinegético de cada Estado-membro se situe na casa dos 10 a 12 por cento. José Penedos mostra-se confiante: «Estamos a fazer uma aposta no sentido de caminhar mais rapidamente, porque somos importadores líquidos de energia fóssil e, quanto mais investirmos na energia renovável, menos dinheiro sai pelo lado do pagamento da factura dos combustíveis». É nesse sentido, adianta, que «há aqui lugar a opções estruturais em relação à tarifa das renováveis».

O Governo mostra um nítido sinal político ao eleger para parceiros privilegiados as autarquias e os empresários do sector, afirma o secretário de Estado, adiantando que «este ano, na Convenção Tarifária para 1998, será dado esse primeiro sinal de diferenciação, incluindo a tarifa verde para a energia oriunda de instalações de base renovável».

Em ano de eleições autárquicas, José Penedos lança o desafio «a todos os autarcas a eleger no próximo dia 14 de Dezembro, homens e mulheres, preocupados com o futuro do País para aderirem a esta componente de racionalização dos custos energéticos do país e de valorização do potencial endógeno», definindo como meta a alcançar «o ano 2010, ano em que o País deve ultrapassar os países europeus na satisfação das suas necessidades básicas de energia com energia renovável».

(JMV)




American Foundation

FERRO RODRIGUES PRESIDE A BANQUETE

O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Ferro Rodrigues, preside ao banquete anual da American Foundation for Charities of Portugal que se realizarão em Huntingtown, Nova Iorque, em 22 de Novembro.

Este banquete anual, que tradicionalmente junta várias centenas de convidados, na sua maioria empresários luso-americanos, tem vindo a ser presidido desde 1984 por figuras da vida pública portuguesa. A American Foundation tem, no seu banquete anual e no sorteio complementar de um carro de luxo, a sua principal fonte de receita.

A American Foundation for Charities of Portugal, criada em 1983 por um grupo de empresários luso-americanos do estado de Nova Iorque, tem a sua sede em Nesconset, e é presidida por Jack Cunha. O seu objectivo principal é dar assistência financeira a obras de carácter social portuguesas afectadas por grandes carências.

Recorde-se que a American Foundation entregou, no passado dia 6 de Agosto, três subsídios de 25 000 dólares (4 250 contos) a outras tantas instituições de assistência social portuguesas durante uma cerimónia que decorreu no Palácio das Necessidades, em Lisboa. As instituições contempladas - Património dos Pobres, de Ílhavo, Associação Humanitária de Salreu, Estarreja, e Complexo Paroquial e Social de N. S. de Fátima, de Convento Novo, Évora - foram seleccionados de entre mais de três dezenas de candidatos aos subsídios anuais que a American Foundation atribui desde há treze anos.

Incluindo a assistência prestada este ano, a American Foundation for Charities of Portugal enviou para Portugal desde 1984 - primeiro ano em que enviou donativos - o montante de 1 445 000 dólares (245 650 contos). Este montante foi distribuído por 63 instituições de assistência social espalhadas por todas as áreas geográficas, incluindo as regiões autónomas. A selecção dos candidatos é feita com base nas carências verificadas pessoalmente pelos directores da fundação, que, a expensas suas, se deslocam a Portugal.



RENDIMENTO MÍNIMO

Entretanto, o ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, João Cravinho, anunciou, após a apresentação das Grandes Opções do Plano ao Conselho Económico e Social, na Assembleia da República, que o Governo disponibilizará, para o próximo ano, 40 milhões de contos para o Rendimento Mínimo Garantido (RMG).

Para o ministro João Cravinho, a universalização do RMG é «uma autêntica revolução social, sendo 1998 o ano em que ela será realidade».

(JMV)




FAO
DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

Celebra-se hoje, em 150 países, o Dia Mundial da Alimentação. As comemorações deste ano são consagradas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), ao «investimento público e privado no sector agrícola com vista a alcançar a segurança alimentar».

A apresentação da iniciativa decorreu em Roma, tendo Jacques Diouf, director-geral da FAO, aproveitado para deixar a mensagem de que «todos os componentes da sociedade civil devem colaborar se queremos que a alimentação para todos se torne uma realidade»

O Dia Mundial da Alimentação, que se celebra anualmente a 16 de Outubro, data do aniversário da fundação da FAO, no Quebeque (Canadá), tem por finalidade sensibilizar a opinião publica mundial para o problema da fome e da má nutrição, encorajar a investigação de soluções duráveis e estimular a produção alimentar.

As comemorações prolongam-se até amanhã com a primeira edição de uma emissão televisiva mundial, a «Telefood», que será transmitida para 70 países. A emissão da «Telefood» conterá informação, reportagens, canções, música, desporto, assim como entrevistas a personalidades mundiais e vedetas do espectáculo.




Obras no Palácio da Ajuda

MINISTÉRIO DA CULTURA DESMENTE «TAL & QUAL»

O Ministério da Cultura (MC) divulgou, no dia 10, uma nota à Imprensa em que qualifica a notícia do «Tal & Qual» sobre as obras de beneficiação levadas a cabo nas Instalações Sanitárias (IS) do 4º piso da ala norte do Palácio da Ajuda, publicada no mesmo dia, como veículo de uma «óbvia má fé».

O mesmo documento avança que o MC deu ao jornalista do referido semanário, após contacto telefónico, a possibilidade de visitar as IS em causa, mas este não compareceu depois de marcar a visita, facto «que não o inibiu de veicular informações incorrectas e falsas».

«A empreitada noticiada, no valor de 12 312 contos, corresponde a trabalhos efectuados em duas IS públicas (masculina e feminina) e não em uma só de carácter privado, contrariamente ao veiculado», diz o texto divulgado pelo Ministério da Cultura onde também pode ler-se que «estas IS servem todos os utentes do 4º piso do MC (cerca de 50 pessoas), bem como as largas dezenas de visitantes do Ministério, da SEC, do IPPAR e dos serviços da Secretaria-Geral. Não servem apenas o gabinete do ministro que, ao contrário do que é afirmado, não teve qualquer interferência no processo».

Ao que o «Acção Socialista» conseguiu saber, as obras em causa incluíram a revisão de infra-estruturas e redes, efectivamente degradadas, e não possuem qualquer carácter de excepção nem recorreram a qualquer tipo de materiais luxuosos, mantendo as IS a sua configuração inicial.

Mas o MC não se fica pelo desmentido e «lamenta» as incorrecções da notícia do «Tal & Qual» que, segundo informa na nota à Imprensa, «chega ao ponto de "casar" o indigitado chefe de gabinete do Ministério da Cultura, José Almeida Ribeiro, com a directora do Instituto Português de Museus, Raquel Henriques da Silva», quando o enlace não corresponde à realidade.

(MJR)