Cooperação
O primeiro-ministro, António Guterres, inicia na próxima segunda-feira uma visita de cinco dias a Angola, com o objectivo do reforço da relação bilateral entre os dois países.
Na sua primeira deslocação a Angola, o primeiro-ministro terá encontros com o seu homólogo França Van-Dunem e com o Presidente José Eduardo dos Santos, em Luanda, deslocando-se também às cidades de Benguela e Lubango.
Os dossiers da cooperação bilateral constituirão o prato forte da visita, com a concretização de um protocolo de apoio ao ensino superior em Angola e o lançamento de programas de ensino à distância. O primeiro-ministro anunciará também o apoio de Portugal a projectos na área da inserção social e do apoio aos «meninos de rua».
A visita oficial do primeiro-ministro a Angola «coincide com um momento de viragem na vida política angolana», disse o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, José Lamego, no final de uma visita que efectuou a Luanda na semana passada, em preparação da visita oficial de Guterres.
«A realização da visita do primeiro-ministro numa altura particularmente crítica do processo de paz angolano tem por objectivo transmitir aos angolanos um sinal forte do empenho de Portugal na consolidação da paz e da estabilidade democrática em Angola», disse José Lamego ao «Acção Socialista».
As questões relacionadas com a dívida angolana serão igualmente abordadas durante a visita de Guterres. Para o efeito, esteve esta semana em Luanda uma equipa técnica chefiada pelo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Pina Moura, a fim de equacionar com as autoridades angolanas as soluções propostas por Portugal para essa questão.
«É uma questão bastante complexa do ponto de vista técnico, mas que será naturalmente abordada durante a visita», afirmou José Lamego.
«Portugal e Angola fizeram uma Comissão Mista em Maio de 1996 que estabeleceu um conjunto de metas no âmbito da cooperação institucional, mas, para além disso, queremos dar com esta visita um novo impulso à cooperação económica e empresarial», referiu-nos o secretário de Estado.
Para o efeito, acompanham o primeiro-ministro cerca de meia centena de empresários portugueses, para além de políticos, representantes de Organizações Não-Governamentais (ONG) que estão a realizar projectos de cooperação com Angola, e homens da cultura, para além dos ministros Jaime Gama, Jorge Coelho, João Cravinho, Marçal Grilo e Augusto Mateus, e os secretários de Estado José Lamego, José Lello (Comunidades Portuguesas), Pina Moura, José Pereira Gomes (Defesa), Luís Capoulas Santos (Agricultura) e José Sócrates (Ambiente).
O secretário de Estado da Juventude, António José Seguro, discursa, hoje, na Comissão Permanente das Nações Unidas, em Nova Iorque, por ocasião da preparação da I Conferência de Ministros da Juventude, um evento a realizar-se em Lisboa, durante o mês de Agosto.
A discussão das medidas para a implementação do
Programa de Acção para a Juventude dos anos 2000 e seguintes
é o ponto principal da ordem de trabalhos desta reunião preparatória.
Prémio Nobel da Paz
A luta contra as minas antipessoais, «a arma insidiosa e cega», foi reconhecida. O Prémio Nobel da Paz de 1997 foi atribuído à Campanha Internacional para a Interdição das Minas (ICBL) e à sua coordenadora, Joddy Williams, uma americana de 47 anos.
O Nobel da Paz vem recompensar cinco anos de trabalho da ICBL (organização que agrupa cerca de 900 ONG), na sensibilização da opinião pública mundial contra «a arma dos cobardes» que mata ou mutila 26 mil pessoas por ano, das quais 90 por cento civis.
A laureada Jody Williams dedicou o galardão «a todas as vítimas das minas e aos milhões de pessoas que têm de viver, no dia-a-dia, em campos de minas».
Numa altura em que a luta pela abolição da mais cruel arma à face da terra foi distinguida, torna-se imperioso lembrar que outra mulher, Diana de Gales, durante os últimos meses da sua vida se empenhou profundamente na denúncia e no alerta para as feridas e os sofrimentos causados pelas minas antipessoais, pondo todo o seu carisma, prestígio, sensibilidade e compaixão ao serviço desta causa, que a levou, inclusive, a deslocar-se a Angola e à Bósnia.
O anuncio da atribuição deste Nobel da Paz foi recebido com «profundo e sentido regozijo» pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, que numa declaração sustentou que «a disseminação desta arma cobarde e terrível por todo o mundo, especialmente nos países que sofreram ou continuam a sofrer o drama da guerra, é um dos mais graves flagelos que assolam a Humanidade, reclamando uma solução urgente do conjunto da comunidade internacional».
O primeiro-ministro, António Guterres, por seu turno, mostrou-se entusiasmado com a escolha do Comité Nobel porque, sublinhou, «é verdadeiramente chocante no mundo de hoje o conjunto de minas antipessoais espalhadas por toda a parte, que põem em risco as vidas das crianças, das mulheres e das pessoas em geral», acrescentando estarmos em presença de uma forma de fazer guerra «que é absolutamente abominável».
(JCCB)