Guterres visita hospitais
O primeiro-ministro, António Guterres, e a ministra da Saúde, Maria de Belém Roseira, efectuaram na passada segunda-feira um périplo pelos novos hospitais e centros de saúde do País.
A iniciativa, que teve por finalidade mostrar os investimentos que estão a ser feitos e pensados para a área da saúde, iniciou-se em Portimão com uma visita ao Hospital Distrital do Barlavento Algarvio. Trata-se de uma obra orçada em 9 milhões de contos, que deverá entrar em funcionamento em Setembro de 1998 e que irá servir cerca de 150 mil habitantes.
Esta unidade hospitalar terá uma capacidade de 250 camas, distribuídas por 14 áreas de internamento, meios de diagnóstico, incluindo laboratórios de patologia clínica, um bloco operatório com quatro salas, um centro de medicina cirúrgica e de reabilitação e uma unidade de imagiologia mamária.
António Guterres considerou como «exemplar» a realização desta obra, nomeadamente em termos de prazos e de cumprimento de prazos previstos. A este propósito, o primeiro-ministro considerou que agora as regras são outras, isto é, os contratos são para cumprir pelo que não se admitem aumento de custos. O rigor é a palavra de ordem nas construções da saúde.
Casos como o do Hospital Amadora-Sintra - previsto custar 8,9 milhões de contos, ficou por 18 milhões - e o do Hospital de Matosinhos - que deveria ter ficado em sete milhões de contos, veio a custar 16 milhões, para além de ter demorado muito mais tempo que o previsto - têm de acabar.
O exemplo do Hospital do Barlavento Algarvio, iniciado em Maio de 1996 e cuja inauguração está prevista para Setembro de 1998, é «a prova de que, aos poucos, Portugal vai transformar-se num país normal, onde as regras se cumprem e o rigor é fundamental para a execução de obras desta natureza», salientou António Guterres.
Esta mesma ideia foi reforçada pelo secretário de Estado Arcos dos Reis durante a paragem, deste périplo hospitalar, na cidade da Covilhã, onde está em construção o Hospital da Cova da Beira, cuja conclusão aponta para Novembro do próximo ano. Esta unidade será equipada com 250 camas e terá um custo aproximado de 8 milhões de contos.
Segundo Arcos dos Reis, os investimentos em curso, neste sector, têm tido um controlo permanente por parte dos organismos centrais e das próprias administrações regionais de saúde pois, sublinhou, não é tolerável o prolongamento de obras por vários anos com os respectivos custos a serem pagos pelo erário público.
O programa da visita incluía ainda a inauguração do Centro de Saúde de Aveiro e o lançamento da primeira pedra do novo hospital de Tomar.
Em Aveiro, o novo Centro de Saúde, que deverá começar a funcionar, em pleno, no próximo dia 27, tem equipamento para a realização de exames complementares de diagnóstico, como análises e imagiologia. Este Centro tem inscritos 74 412 utentes e dispõe de 12 unidades espalhadas pelo concelho.
Maria de Belém aproveitou a inauguração para relembrar que 80 por cento dos problemas de saúde podem ser resolvidos nos cuidados primários, uma área, aliás, considerada prioritária pela própria ministra. Os cuidados de saúde primários recebem, este ano, a maior fatia de sempre do PIDDAC, quase 16 milhões de contos, frisou Maria de Belém, que serão distribuídos pela construção de novas unidades, ampliação e apetrechamento das já existentes. Só assim, salientou a ministra, «se consegue melhorar a acessibilidade dos utentes aos centros de saúde e aliviar as urgências dos hospitais».
A política de saúde do ministério aponta para que todos os centros de saúde estejam equipados com o material indispensável à realização de alguns exames de diagnóstico, pelo que serão instalados, entre outros equipamentos, mini-laboratórios de análises e electrocardiógrafos. «Os cuidados primários são a prioridade das prioridades», sublinhou a ministra.
O raide pelas obras da saúde terminou em Tomar, onde António Guterres fez o lançamento simbólico da primeira pedra do novo hospital da cidade. Trata-se de uma unidade prometida pelo ex-ministro Arlindo de Carvalho, esquecida, depois por Paulo Mendo, e agora finalmente recuperada, com pernas para andar e visto do Tribunal de Contas.
A obra desenvolvida pelo ministério de Maria de Belém não se fica apenas pela construção, reparação ou ampliação das unidades hospitalares. Tão importante quanto esta, é a da organização dos serviços. Para a ministra da Saúde, a organização dos serviços, através da dotação de instrumentos de modernidade ao nível da administração pública e a informatização dos centros de saúde e hospitais, são factores determinantes para a prestação de um melhor e mais rigoroso serviço.
Também António Guterres se mostrou sensível a esta política, afirmando «estar convencido de que em breve se começará a sentir uma diferença que não tem tanto a ver com o dinheiro gasto ou o betão construído, mas sobretudo com o bem-estar da pessoa quando é acolhida numa instalação do Serviço Nacional de Saúde».
A qualidade do serviço é apenas uma das preocupações de António Guterres, pois «infelizmente há ainda muito que construir», por isso temos que combater nas duas frentes, mas a questão mais importante é a de acompanhar o investimento com uma humanização progressiva dos serviços, sublinhou o primeiro-ministro.
Para a conclusão da rede hospitalar está prevista a construção de 16 grandes hospitais e de dezenas de centros de saúde. «Se tudo correr de acordo com o previsto, em 2002 o País terá completamente construída a sua rede» de hospitais e centros de saúde, pelo que a partir daí haverá apenas que ir aperfeiçoando, afirma António Guterres.
É, aliás, neste sentido que aponta o plano de investimentos do Ministério da Saúde que prevê uma despesa de 165 320 milhões de contos, até ao ano 2002, para apetrechamento e construção dos 16 novos hospitais distritais e centrais. A maior fatia deste investimento vai para o Hospital de Todos os Santos (29 250 milhões de contos), cuja conclusão se aponta para daqui a cinco anos. O Hospital de Braga custará 16 750 milhões de contos e estará concluído em Abril de 2002. A estes valores juntam-se 97 649 milhões de contos destinados a ampliar e apetrechar 21 hospitais já existentes.
Ainda neste capítulo estão previstos 6 188 milhões de contos destinados à construção e apetrechamento de oito escolas de enfermagem de Viana do Castelo a Faro. Finalmente, prevê-se um investimento de 23 milhões em centros de saúde, o que perfaz um investimento em construção e recuperação de unidades de cerca de 300 milhões de contos até ao ano 2002.
(JMV)