SOCIEDADE & PAÍS 



Coimbra

JORGE SAMPAIO HOMENAGEOU PROFESSORES

O Presidente da República homenageou, na passada sexta-feira, na Universidade de Coimbra, os professores Mário Silva e Poiares Baptista.

A homenagem ao docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia, que decorreu no anfiteatro do Museu de Física (Colégio de Jesus), contou com a presença do reitor Rui de Alarcão. A evocação de Mário Augusto da Silva (pai do conhecido pintor Mário Silva) assinala o cinquentenário do seu afastamento compulsivo da Universidade de Coimbra, por determinação do regime salazarista. O prestigiado físico foi discípulo de Marie Curie, tendo sido, pelas suas posições «incómodas» para o regime de então, afastado da Universidade de Coimbra por influência directa de Salazar.

«A sua voz de mestre e cientista», frisa o Gabinete de Relações com o Exterior da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (GREXTE), «foi brutalmente silenciada há 50 anos pelo regime prepotente e iníquo que então detinha o poder». Doutorado em Paris em 1928, Mário Silva foi de certa forma um dos mais acérrimos defensores do Museu de Física, que, desde a sua criação pelo Marquês de Pombal em 1772, estava a entrar em decadência e em processo de delapidação do espólio tecnológico.

«Foi em 1937 que a clarividência e porfiados esforços do professor Mário Silva inverteram tão insensato processo de delapidação do nosso património artístico e científico.» O investigador e «pedagogo de qualidades excepcionais», como salienta o GREXTE, «logrou a recuperação e restauro de grande parte das peças, bem como a reconstituição do primitivo Gabinete de Física Experimental, cuja localização caíra também no esquecimento».

O ex-vice-reitor da Universidade de Coimbra, António Poiares Baptista, que passou agora à situação de professor jubilado da Faculdade de Medicina, foi também homenageado pelo Presidente da República. A cerimónia decorreu durante as Jornadas Internacionais de Dermatologia, no anfiteatro de Anatomia, onde o docente e director do Serviço de Dermatologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) proferiu, como é da praxe, a sua última lição.

Presidente honorário da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, Poiares Baptista foi vice-reitor da Universidade de Coimbra, director dos HUC e presidente dos conselhos Directivo e Cientifico da Faculdade de Medicina.

Associam-se a esta iniciativa, entre outras entidades, o Ministério da Saúde, a Reitoria da Universidade, os Conselhos Directivo e Científico da Faculdade de Medicina, o Conselho de Administração dos HUC, a Ordem dos Médicos e o presidente da Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República.

(JMV)




Comemorações do 5 de Outubro

OS IDEAIS DA REPÚBLICA ESTÃO VIVOS

A República fez no passado domingo 87 anos. O 5 de Outubro foi comemorado em vários pontos do País. Destaque para as cerimónias efectuadas em Lisboa e no Porto.

Na capital, os festejos da implantação da República tiveram início de manhã, com a habitual deposição de flores junto à estátua de António José de Almeida.

Depois, na Câmara Municipal de Lisboa, na varanda dos Paços do Concelho, a mesma onde há 87 anos foi proclamada a República, o anfitrião João Soares, o presidente da Assembleia da República, Almeida Santos, o primeiro-ministro, António Guterres, e outras individualidades ouviram o Presidente da República, Jorge Sampaio, falar das «reformas que implicam opções e decisões, confronto de opiniões e a procura de consensos».

No seu discurso, Jorge Sampaio, numa clara alusão ao referendo sobre as regiões e a Europa, sublinhou que quando «se entende que a população deve ser directamente consultada, esse não pode ser encarado como um momento de divisão, antes de clarificação democrática de escolhas».

João Soares, por seu turno, visivelmente satisfeito com as obras de reconstrução da Câmara Municipal, disse: «Prometemos e cumprimos.» O presidente de todos os alfacinhas respondia assim àqueles que puseram em duvida o terminus das obras de construção do edifício na data anunciada, 5 de Outubro.


Porto republicano

No Porto, junto à estátua de Afonso Costa, um dos maiores símbolos da I República, Urbano Tavares Rodrigues, orador oficial da cerimónia comemorativa do 5 de Outubro, teceu duras críticas ao neoliberalismo económico, responsável, na sua opinião, pela actual desumanização da vida.

O escritor e resistente antifascista lembrou os ideais da República e do 25 de Abril, não esquecendo na sua intervenção movimentos e personalidades que durante o Estado Novo lutaram pela liberdade.

(JCCB)




Timor-Leste

RAMOS-HORTA APELA AO CESSAR-FOGO

O principal dirigente da resistência timorense no exterior, Ramos-Horta, disse em Maputo que o seu apelo nas páginas da Internet para um cessar-fogo «indeterminado no tempo» por parte da resistência foi bem aceite nas Nações Unidas, em Washington e em Londres.

Ramos-Horta, que se encontra na capital moçambicana para participar em iniciativas sobre Timor-Leste, afirmou à Agência Lusa que, na sequência da boa aceitação do seu apelo, «esses países (EUA e Reino Unido) vão ter de pressionar a Indonésia» para corresponder à boa fé dos timorenses.

O Nobel da Paz lembrou que na sua proposta «há um determinado número de condições» a observar.

«A resistência timorense observaria o cessar-fogo indeterminado no tempo, desde que haja uma redução drástica das forças indonésias no território, libertação dos presos, fim da tortura e presença da ONU», salientou Ramos-Horta, acrescentando que a proposta inclui como condição a criação em Timor-Leste de «uma região protegida» para os guerrilheiros e seus familiares.