Guterres directo
O primeiro-ministro recebeu anteontem, em São Bento, o presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer. Na conferência de Imprensa, após o encontro dos dois responsáveis políticos, António Guterres foi claro em recusar um distribuição de apoios comunitários para a criação de novos postos de trabalho entre os «Quinze», tendo como único critério a taxa de desemprego clássica de cada país. «O desemprego é uma questão complexa e não se reduz à expressão de uma taxa», afirmou.
A coordenação das políticas económicas de emprego, recorde-se, será o principal tema em debate na próxima cimeira do Conselho Europeu, no Luxemburgo. Nesta cimeira, o primeiro-ministro português irá bater-se por uma distribuição dos fundos destinados ao combate ao desemprego tendo como base o conceito genérico da empregabilidade, onde ganham relevância factores como a qualificação média da população activa, a capacidade de encontrar no futuro novos postos de trabalho, a qualidade do emprego e a educação.
Depois de escutar as palavras do chefe do Governo, Jacques Santer aproximou-se da posição defendida por Portugal, sustentando que, da cimeira do Luxemburgo, não deverão sair objectivos bem quantificados, em termos de criação de novos empregos, mas, antes, métodos. Por outro lado, espera que o resultado da discussão tenha um efeito mobilizador junto das empresas e parceiros sociais dos «Quinze».
Discursando no Centro Cultural de Belém, em outro ponto da sua
agenda em Portugal, Jacques Santer disse ter a certeza de que os
portugueses não serão prejudicados com as perspectivas de
acesso a fundos comunitários, entre 2 000 2 006. O bolo a distribuir
entre os Estados-membros, garantiu, subirá 15 por cento. E Portugal
será certamente beneficiado.